O representante de empresas na área da tecnologia blockchain, Jean-Clément Rose, disse nesta semana em entrevista ao portal EXAME que a floresta amazônica, que enfrenta crise internacional devido ao avanço desmatamento e às queimadas supostamente coordenadas por madeireiros simpáticos ao presidente Jair Bolsonaro, poderia trazer ao Brasil R$ 35 bilhões de reais por ano usando tecnologia blockchain.
O especialista defende que a monetização dos serviços que a floresta presta ao planeta poderia fazer o Brasil lucrar, evitando crises internacionais como a atual, baseada na destruição acelerada da floresta.
Jean-Clément propõe ao EXAME "ver outro ângulo", rompendo o paradigma de enxergar a Amazônia como árvores e biodiversidade. Segundo ele, o Brasil seria dono da "maior fábrica de oxigêncio do mundo e maior captador de CO2", e não poderia oferecer esse serviço ao mundo de graça.
Ele lembra que China, Estados Unidos e União Europeia são os maiores poluidores do mundo, enquanto "o Brasil limpa grande parte disso de graça":
"A blockchain veio para nos ajudar. [...] Com a tecnologia, é possível identificar com precisão cada hectare e emitir de forma eletrônica um "documento" que representa este hectare. O oxigeno produzido e o CO2 capturado por este hectare tem um grande valor. Quanto se pagaria por ano para proteger um hectare de floresta amazônica? Coloquemos um valor baixo: 100 reais (menos de 25 USD) por ano. Mas para o Brasil este ingresso representaria 35 bilhões de reais por ano. Algo como uma Petrobras."
Segundo ele, a iniciativa, a iniciativa "seria como emitir 350 milhões de bilhetes eletrônicos onde se sabe com total precisão que hectare da floresta representa cada bilhete e quem comprou este bilhete", com validade de um ano. Ele diz que "toda empresa que tenha uma política de Responsabilidade Social" teria interesse em investir.
Ele garante que "a ideia é simples, fácil de implementar e será um grande sucesso. Mudará a imagem do Brasil, mudará o Brasil", conclui.
A tecnologia blockchain tem sido estudada por diversos especialistas para aplicação na preservação da floresta amazônica, hoje a maior do mundo. Conforme o Cointelegraph Brasil publicou na semana passada, a Rainforest Foundation US divulgou que quer usar blockchain e criptomoedas para ajudar a salvar a Amazônia brasileira.