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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Anonimato absoluto em criptomoedas se tornará cada vez mais difícil, admitem provedores de Swap

De diretrizes do FinCEN à MiCA europeia e às normas do Banco Central do Brasil, avanço regulatório pressiona swaps e coloca em xeque o anonimato absoluto no mercado cripto.

Anonimato absoluto em criptomoedas se tornará cada vez mais difícil, admitem provedores de Swap
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Resumo da notícia

  • Regulamentação global avança e pressiona serviços de swap

  • KYC e identidade digital devem se tornar padrão

  • Anonimato absoluto em cripto pode acabar

Desde 2013, quando o FinCEN (Financial Crimes Enforcement Network) dos EUA emitiu diretrizes definindo corretoras de criptomoedas como transmissoras de dinheiro, sujeitando-as a regras de conformidade, até a publicação da MiCa na Europa e as novas instruções Normativas do Banco Central do Brasil, o movimento de regulamentação das plataformas de criptoativos vem crescendo.

E, nessa busca por regulamentar e identificar os usuários, nem mesmo serviços de mixer ou carteiras focadas 100% em privacidade, como a Samurai Wallet, estão ilesas dos reguladores. No caso das operações de compra e venda de ativos digitais, muitos usuários recorrem aos serviços de swap on-chain como alternativa a vigilância do governo.

Porém, de acordo com plataformas de swap ouvidas pelo Cointelegraph Brasil, o anonimato absoluto em criptomoedas pode cair por terra em breve, mesmo usando criptomoedas focadas em privacidade, como Monero.

Para Vadim Taszycki, head of growth da StealthEX, a regulamentação deixou de ser uma possibilidade e passou a ser uma realidade inevitável para o setor.

Segundo ele, o mercado de criptomoedas atingiu maturidade suficiente para exigir regras formais, obrigando empresas a operar dentro de estruturas regulatórias independentemente de preferências ideológicas.

“O setor precisa monitorar práticas globais de prevenção à lavagem de dinheiro, trabalhar com provedores de liquidez regulados e manter produtos flexíveis para permanecer em conformidade”, afirma.

A visão é compartilhada pela SwapSpace, que destaca que a regulação tornou-se inevitável com a entrada de grandes instituições financeiras no setor.

De acordo com a empresa, a chegada de ETFs, bancos e companhias listadas transformou a identificação de usuários e controle de riscos em requisitos estruturais do mercado, não mais em debates conceituais.

Ao mesmo tempo, a empresa ressalta que a natureza descentralizada das criptomoedas cria desafios adicionais para reguladores. Enquanto serviços centralizados podem ser supervisionados, protocolos descentralizados são muito mais difíceis de controlar.

Por isso, o mercado vive hoje uma fase de adaptação, não de confronto entre reguladores e indústria”, afirmou o representante da SwapSpace.

KYC, identidade digital e privacidade do usuário

Um dos principais pontos de debate envolve a identificação dos usuários. As novas regras globais e locais exigem maior rastreabilidade das transações, levantando dúvidas sobre a adoção de KYC (Know Your Customer) ou soluções baseadas em identidade descentralizada com provas criptográficas, como ZK-Proofs.

Taszycki explica que as práticas variam entre países e empresas. Algumas plataformas devem adotar KYC completo como padrão, enquanto outras utilizam modelos baseados em risco.

Segundo ele, a StealthEX, por exemplo, realiza verificação de identidade apenas quando transações são sinalizadas como suspeitas, mantendo um modelo não custodial com foco em privacidade.

Ele aponta que soluções baseadas em ZK-Proofs podem ajudar a preservar dados dos usuários, mas alerta que reguladores podem exigir estruturas que, na prática, reproduzam processos tradicionais de identificação.

A SwapSpace acredita que o futuro será híbrido, combinando KYC tradicional com tecnologias que reduzam a exposição de dados pessoais. A empresa destaca que o ecossistema cripto foi criado com o objetivo de minimizar compartilhamento desnecessário de informações, o que explica o crescente interesse por soluções de identidade descentralizada.

Anonimato total tende a desaparecer

As duas empresas concordam que o anonimato absoluto se tornará cada vez mais difícil.

Taszycki afirma que ser totalmente anônimo no ambiente regulado moderno é praticamente impossível, mas ressalta que manter privacidade ainda é viável por meio de autocustódia, uso de serviços em diferentes jurisdições e infraestrutura focada em privacidade.

A SwapSpace observa que o mercado global caminha para maior identificação, especialmente nas entradas e saídas entre moedas fiduciárias e criptomoedas. No entanto, dentro do próprio ecossistema blockchain ainda existem diferentes níveis de privacidade.

A empresa destaca ainda que ativos focados em privacidade continuam atraindo interesse significativo de usuários experientes, que frequentemente priorizam proteção de dados acima de custos ou velocidade de transação.

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