Em 4 de dezembro do ano passado, quando o mercado de criptomoedas sofreu um forte abalo e o Bitcoin (BTC) caiu mais de 8%, revertendo o sentimento do mercado negativamente, o Fantom (FTM) sofreu uma forte correção e em menos de 48 horas viu o seu valor corrigir aproximadamente 25%.

A queda da máxima de US$ 1,99 em 4 de dezembro para US$ 1,53 no fechamento do dia seguinte fez com que o preço da altcoin ficasse quase 60% abaixo da máxima histótica de US$ 3,48 registrada em outubro, de acordo com dados do CoinGecko.

Passados pouco mais de um mês, o sentimento do mercado permanece baixista, mas o Fantom, ao contrário das principais criptomoedas do mercado, mantém uma forte tendência de alta que teve início em 21 de dezembro.

Desde então o preço do FTM acumula ganhos de aproximadamente 117% e o protocolo se credencia novamente como desafiante do Ethereum (ETH), capaz de rivalizar com Solana (SOL), Avalanche (AVAX) e Terra (LUNA) na disputa das redes de contratos inteligentes por maior eficiência e escalabilidade.

No mesmo período, a valorização do token nativo da Fantom foi acompanhada pela duplicação do Valor Total Bloqueado em protocolos DeFi baseados na rede, de acordo com informações da plataforma de monitoramento de dados Defi Llama. Apenas nos últimos sete dias, o crescimento foi de mais de 20% - disparado o melhor desempenho entre as 10 principais redes de contratos inteligentes, já que com exceção do Terra e da Polygon (MATIC), todas as demais sofreram com a fuga de capital.

Em termos de adoção, desde setembro o número de endereços únicos na rede vem crescendo de forma constante e hoje somam 1,6 milhões. A título de comparação, o número é equivalente ao de endereços únicos da Avalanche, cuja capitalização de mercado é de US$ 22 bilhões - três vezes maior do que a da Fantom. 

Entre as dez principais blockchains dedicadas a contratos inteligentes, a Fantom é a que possui a menor razão entre TVL e capitalização de mercado. Na verdade, a Fantom é a única rede  que possui um valor total bloqueado maior que seu valor de mercado. Quanto menor a razão, maior o potencial de crescimento da rede.

Tecnologia subjacente

Como outras soluções de primeira camada, a Fantom procura oferecer alternativas mais eficientes para resolver os gargalos do Ethereum - escalabilidade, congestionamento e o alto custo das taxas de transação.

O Ethereum funciona como um grande computador que concentra o processamento de todas as transações. Quanto mais os usuários a utilizam e o número de transações a serem processadas aumenta, maiores serão o congestionamento e as taxas de gás. 

O Fantom, por sua vez, foi projetado para ser uma rede composta por muitos computadores e o processamento de transações é espalhado entre esses computadores. Cada dApp é tratado como uma blockchain autônoma e é executado de forma independente. Se um deles for muito acionado, os outro não são afetados. Ao mesmo tempo, os aplicativos podem se comunicar uns com os outros. Os desenvolvedores da Fantom a apresentam como "a rede das redes".

Além disso, a Fantom é compatível com a Ethereum Virtual Machine (EVM), o que faz com que os aplicativos desenvolvidos para rodar na rede líder possam ser implementados na Fantom.

Por fim, a Fantom conta com Andre Cronje em sua equipe de desenvolvedores. O criador do agregador de yield farming Yearn.finance (YFI) é reconhecido como um dos maiores arquitetos DeFi da indústria. Assim, é natural que os Dapps mais promissores da Fantom sejam dedicados a finanças descentralizadas.

1. Geist Finance (GEIST)

O Geist Finance é um protocolo de empréstimo nos moldes da AAVE e, hoje, é aquele que concentra  a maior fatia do TVL da Fantom - US$ 1,69 bilhão. Uma das razões para a sua popularidade entre os usuários é o fato de que o protocolo oferece recompensas aos tomadores de empréstimo que a utilizam.

Os tomadores de empréstimo são recompensados com tokens GEIST numa proporção em que o APY (percentual de retorno anual) é mais alto do que os juros cobrados pelo empréstimo, potencializando as chances de que haja lucro na operação.

A cada 30 dias, a quantidade de GEIST alocada para incentivos é reduzida, portanto, quanto mais tarde o usuário aderir, menor será o APY. Além disso, as recompensas são distribuídas em GEIST. Logo, se o token se desvalorizar, o APY realizado em dólares poderá ser muito menor do que as projeções iniciais. No entanto, essa advertência é válida para quaisquer operações envolvendo protocolos DeFi.

Outra forma de ganhar recompensans no Geist Finance é fazendo staking de GEIST - 50% da receita gerada pelo protocolo é distribuída entre os stakers do token.

2. SpookySwap (BOO)

A SpookySwap (BOO) é a maior exchange descentralizada (DEX) da Fantom e está para a rede assim como a Uniswap (UNI) está para o Ethereum e a PancakeSwap (CAKE) está para a Binance Smart Chain (BSC). Através do formador automático de mercado (AMM) é possível fazer swaps de tokens ou fornecer liquidez em pools e ganhar uma participação sobre as taxas de negociação do protocolo.

Também é possível fazer staking dos tokens LP resultantes para fazer farming de BOO: em alguns dos pools de farming, o APY ultrapassa 100%. Além disso, a plataforma também possui recursos que não são disponibilizados na grande maioria dos AMMs do mercado.

No SpookySwap é possível efetuar ordens limitadas, nas quais o usuário pode definir o valor pelo qual deseja comprar ou vender determinado token, e a ordem será executada somente quando - e se - o preço atingir o preço-alvo.

O SpookySwap também funciona como ponte: os usuários podem utilizar a plataforma para transferir tokens da Fantom para outras blockchains, como Ethereum, BSC ou Polygon (MATIC), por exemplo.

3. Tomb Finance (TOMB)

O TOMB é uma stablecoin algorítmica cujo preço está atrelado ao FTM na proporção de um para um. Para manter a estabilidade do preço, um algoritmo ajusta o fornecimento de TOMB em função das variações de preço do Fantom. Os desenvolvedores do projeto o caracterizam como um "token de rebalanceamento algorítmico".

O Tomb Finance oferece um complexo sistema de incentivos. Adicionando liquidez ao pool TOMB-FTM no SpookySwap, os usuários recebem tokens LP que podem ser bloqueados em staking para em troca de tokens TSHARE, os quais, por sua vez, também podem ser travados em staking para ganhar TOMBs como recompensa.

Logo que entrou em operação, o Tomb Finance cobrava uma taxa de até 20% sobre a venda do TOMB. Em setembro do ano passado um agente malicioso criou um site que permitia a venda de TOMB sem o pagamento da taxa. Não se tratou de um ataque hacker propriamente, mas causou alarde na comunidade, principalmente entre os detentores do token, e o preço do TOMB caiu temporariamente abaixo de 0,3 FTM.

Para resolver o problema os desenvolvedores aboliram a taxa e criaram novos recursos para reconquistar usuários. Os esforços fizeram efeito, o preço do TOMB se recuperou, retomando a cotação de 1 FTM, e o valor total bloqueado no protocolo hoje já chega a US$ 776 milhões, soma que o coloca como o quinto maior protocolo da Fantom em termos de TVL.

4. Beethoven X (BEETS)

O Beethoven X (BEETS) é um fork do Balancer (BAL), um protocolo muito popular entre os usuários DeFi do Ethereum. O Beethoven X permite que os usuários depositem tokens em fundos de índice que são rebalanceados automaticamente para maximizar seus ganhos.

De acordo com os desenvolvedores do Beethoven, embora o Balancer seja tecnicamente superior ao Uniswap e ao Curve (CRV) no Ethereum, ele não foi capaz de superá-los. No entanto, no Fantom, a história pode ser diferente.

Atualmente, é apenas o 13º protocolo mais popular da Fantom, com um TVL de US$ 274,8 milhões, muito embora tenha sido o principal beneficiário do recente crescimento do valor total bloqueado na rede. Nos últimos sete dias, o TVL do Beethoven subiu mais de 97%.

Assim como o Balancer, o Beethoven possui um formador automático de mercado (AMM) integrado à plataforma que suporta pools de liquidez com até 8 ativos diferentes. Alguns pools do protocolo oferecem um APY superior a 100%.

5. Hector DAO (HEC)

O Hector DAO (HEC) é um fork do Olympus DAO (OHM) baseado na Fantom. Assim como o original, o HEC utiliza o mecanismo de moeda de reserva algorítmica para garantir a estabilidade de preços atrelada a ativos descentralizados diversos que compõem o seu tesouro.

Staking e títulos são os dois pilares de sustentação do Hector DAO.

Além do mercado à vista, a aquisição do token pode ser feita através de títulos. Stablecoins como DAI, MIM e USDC são trocadas por HEC a um preço abaixo de seu valor de mercado. Enquanto as stablecoins são destinadas ao tesouro do protocolo para lastrear o token, os HECs se tornam acessíveis aos detentores após um breve período de dias carência. 

Então, os detentores do HEC são incentivados a depositar seus fundos em um contrato de staking para receber mais HECs a partir de um APY extremamente alto e de  juros que são compostos automaticamente. 

A quantidade de HEC dos stakers cresce com o tempo, reduzindo os riscos de exposição ao ativo e tornando-o mais lucrativo. Em teoria, o aumento da quantidade de HEC protege os investidores de variações de preço desfavoráveis. Como o protocolo garante um preço mínimo de 1 HEC por DAI, manter o token em staking tende a gerar lucro no longo prazo. No entanto, o HEC, assim como o próprio OHM e outros tokens de forks do Olympus DAO, são extremamente voláteis.

Este tokenomics foi criado pelo Olympus DAO e todos os seus forks espalhados por diversas redes o utilizam. A inovação introduzida pelo Hector DAO foi o oferecimento de compensação dos títulos com sHEC, e não com o HEC comum. Com isso, eles começam a render juros a partir do momento em que são trocados, independentemente do período de carência, sem que o usuário precise reivindicá-los e depositá-los em staking manualmente.

Conclusão

É sempre importante reforçar que o sucesso destes projetos está diretamente vinculado ao desenvolvimento da Fantom e isso inclui a atração de liquidez, o aumento do número de usuários e um crescimento sustentado dos projetos de infraestrutura do ecossistema.

No entanto, conforme noticiou o Cointelegraph Brasil recentemente, o Fantom surge nesse começo de ano como um potencial candidato a reivindicar parte do TVL empenhado por usuários DeFi que estão em busca de alternativas mais eficientes do que o Ethereum para explorar as inovações deste mercado.

As visões e opiniões expressas aqui são exclusivamente do autor e não refletem necessariamente as visões do Cointelegraph Brasil. Todo movimento de investimento e negociação envolve risco. Você deve conduzir sua própria pesquisa ao tomar uma decisão.