O Ministério Público e funcionários da Administração Nacional de Eletricidade (Ande) realizaram recentemente uma intervenção em uma propriedade no departamento Central do Paraguai, onde descobriram uma operação ilegal de mineração de Bitcoin (BTC).

A propriedade pertence ao ex-prefeito da cidade de Villa Elisa, Albino González, um conhecido dirigente político do Partido Liberal Radical Autêntico (PLRA).

Em março, durante a operação, foram encontradas 461 ASICs em um depósito localizado na rota que conecta as localidades de Guarambaré e Villeta. No entanto, em uma reviravolta surpreendente, as máquinas apreendidas desapareceram do local antes da efetivação do procedimento de apreensão pelos fiscais nesta terça-feira. As máquinas estavam sob a custódia dos proprietários, que decidiram removê-las da propriedade.

González, que esteve presente durante o procedimento de busca, acompanhado de seu advogado, defendeu-se afirmando que alugou o local para um paraguaio de sobrenome Acevedo e dois alemães em janeiro, alegando desconhecimento das atividades ilegais que ocorreram posteriormente.

 "Toda essa situação está nas mãos do meu advogado, e a documentação já está na Fiscalia. Eu aluguei o local para funcionar como um porto seco, mas o que aconteceu depois foge ao meu controle", declarou

A promotora designada para o caso, Olga González, e sua equipe ficaram surpresos ao descobrir que mais de 450 máquinas de mineração haviam sumido misteriosamente do depósito.

Durante uma inspeção anterior, realizada alguns meses atrás, a agente fiscal Viviana Llano havia lacrado o galpão, deixando as máquinas de mineração em seu interior. Agora, o paradeiro desses equipamentos é desconhecido.

Alejandro Nissen, assessor externo da ANDE, comentou em entrevista ao canal GEN que é necessário investigar se o juiz penal de garantias autorizou a entrega das máquinas a uma terceira pessoa por ordem judicial ou se houve violação do lacre.

. “Não podem desaparecer assim.”

O caso segue em investigação pelas autoridades paraguaias.

Mineração de Bitcoin no Paraguai

Embora o Paraguai seja um país que vem recebendo muitos mineradores de Bitcoin buscando onsumir sua alta produção energética, o país também vem sofrendo com instalações ilegais de mineradores de Bitcoin, principalmente em Hernandarias, cidade próxima à divisa com o Brasil e abastecida pela usina hidrelétrica de Itaipu.

Recentemente, além da operação na casa do ex-prefeito, outras foram realizadas e levaram a apressão de milhares de equipamentos supostamente em fazendas de mineração ilegais no Paraguai.

O ex-prefeito, alvo da operação recente, destacou inclusive a perda significativa que a Ande e o povo paraguaio enfrentam devido a atividades ilegais de mineração cripto.

 "Sabemos que a Ande está perdendo muito dinheiro, e por isso o povo paraguaio está sendo severamente prejudicado", afirmou. 

Recentemente, o ministro da Indústria e Comércio, Javier Giménez, revelou que a nação guarani está focada em aproveitar seu excedente energético de maneira estratégica e lucrativa, direcionando-o para a mineração de criptomoedas.

Segundo o ministro, é muito mais rentável para o país vender sua energia para os mineradores de Bitcoin, que pagam até 3 vezes mais do que o valor pago pelo Brasil com o acordo de Itaipu.

No entanto, fontes ligadas a mineração de criptomoedas no Paraguai, declararam ao Cointelegraph Brasil, que o discurso do governo é bem diferente do que aquilo que acontece na prática e, por conta desta discrepância entre discurso e realização, os mineradores ilegais de Bitcoin vem proliferando na região.

"Há muitas pessoas operando de forma ilegal no Paraguai porque a própria Ande a lei do país dificultam muito a compra da energia para mineração. Grandes empresários querem vir investir no país, mas não há leis claras nem caminhos específicos para fazer isso de forma legal, isso sem falar na corrupção. Isso acaba afastando os players sérios e atraindo os mineradores ilegais", afirmou Lorena Almada, educadora bitcoiner no Paraguai.