A febre das memecoins, retomada pelo token PEPE, não ficou de lado entre investidores brasileiros. Dados do CoinGecko apontam que, nas últimas 24 horas, quatro dos cinco criptoativos mais buscados por brasileiros na plataforma são memecoins. A exceção é o Bitcoin (BTC).

Outro sapo

O token mais buscado por investidores de criptomoedas situados no Brasil é o Froggies (FRGST) que, assim como o Pepe, compartilha uma estética de sapo. O site oficial do projeto afirma que seu propósito é criar um ecossistema com “utilidade e usabilidade para a comunidade”. Não há, no entanto, informações detalhadas sobre quais são as propostas.

No white paper do Froggies, que é um arquivo no formato PDF dentro da plataforma Google Docs, os tópicos “Cassino”, “Play to Earn”, “Staking”, “Exchange Descentralizada” e “Entretenimento” são elencados. Mesmo dentro das explicações de cada tópico, porém, não existem detalhes elaborados.

Pepe e sua esposa

O token PEPE é um dos cinco criptoativos mais procurados por brasileiros no CoinGecko nas últimas 24 horas, ficando em terceiro lugar. Ele fica atrás somente de um projeto que alega ser “a esposa do Pepe”, chamado Pepa ERC (PEPA).

Pepe The Frog é um famoso meme, caracterizado por um sapo verde com traços humanos. Assim como a Dogecoin (DOGE), que usou a imagem da famosa cadela Kabosu, o sucesso do token está vinculado ao sucesso do meme. Outra semelhança com a DOGE é o desinteresse em apresentar um projeto, uma vez que o token funciona apenas como ferramenta de especulação.

Na mesma linha, o token PEPA busca apenas aproveitar parte do ‘hype’ em torno do token PEPE. No roadmap do projeto, existem apenas planos envolvendo marketing, listagem em exchanges centralizadas e popularização em pools de liquidez em aplicações descentralizadas. Fica claro o intuito de apenas ser uma memecoin popular, como Dogecoin e Shiba Inu (SHIB).

Mais um cachorro

PEPE não foi o primeiro criptoativo a inspirar versões alternativas. A febre começou em 2020, quando diferentes memecoins tentaram captar parte do súbito interesse em torno da Dogecoin. Esse interesse foi gerado por Elon Musk, que até hoje flerta com a DOGE, tendo mudado o famoso pássaro azul do Twitter por uma imagem da criptomoeda no início de abril.

Uma das memecoins com estética de cachorro surgida durante a alta na popularidade da Dogecoin foi a Baby Doge Coin (BABYDOGE). Surgido em 2021, o criptoativo publicou promessas envolvendo NFTs, doação para caridade e jogos baseados em blockchain. Até hoje, nenhuma das promessas foi cumprida.

De qualquer forma, a BABYDOGE foi a quarta criptomoeda mais buscada por brasileiros dentro do CoinGecko entre os dias 2 e 3 de maio.

Brasil e especulação

Na sexta edição do “Raio X do Investidor”, relatório publicado anualmente pela ANBIMA, estimou-se que o Brasil conta com mais de seis milhões de investidores de criptomoedas, superando o número de investidores da B3. Houve um crescimento de 50% entre 2021 e 2022 na base de usuários de ativos digitais no país.

O principal caso de uso que os brasileiros encontraram, de acordo com o relatório “Geography of Cryptocurrencies” (Geografia das Criptomoedas, em tradução livre), da Chainalysis, é a especulação. O documento aponta que o Brasil é o segundo maior país da América Latina em termos de usuários interagindo com protocolos descentralizados com intuito especulativo.

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