As criptomoedas estão no centro dos debates políticos na campanha presidencial dos Estados Unidos. Na semana passada, o candidato republicano e ex-presidente Donald Trump e o independente Robert Kennedy Jr. declararam a intenção de criar uma reserva estratégica de Bitcoin nos Estados Unidos, entre outras promessas visando angariar o apoio da comunidade cripto americana.
Embora os democratas tenham se mantido mais tímidos em sua abordagem à indústria, um grupo de congressistas e candidatos a cargos no legislativo do partido divulgou uma carta pedindo a revisão das políticas hostis às criptomoedas da administração do atual presidente Joe Biden, em um eventual governo de Kamala Harris.
Na última edição do boletim "Notas do CIO", publicada na segunda-feira, 29 de julho, Samir Kerbage saudou a atenção que as criptomoedas têm recebido da classe política – não apenas nos EUA, mas também em outros países, como Hong Kong e a Rússia.
Traçando um paralelo com o desenvolvimento da internet no final do século 20, o CIO da Hashdex disse que o apoio governamental foi fundamental para que os Estados Unidos respondam hoje por 85% da capitalização de mercado global das maiores empresas do setor.
Os candidatos à presidência dos EUA estão começando a entender que "cripto claramente está aqui para ficar" e que os "países precisarão competir para atrair essa tecnologia para dentro de suas fronteiras", afirmou Kerbage.
Além disso, destacou o executivo, "existem mais de 50 milhões de proprietários de criptoativos apenas nos EUA, representando cerca de um em cada cinco eleitores potenciais." Ou seja, um contingente que não pode ser ignorado em uma campanha acirrada, sob pena de comprometer a vitória na eleição.
Assim, se no primeiro semestre a alta do mercado foi impulsionada pelo lançamento do ETF de Bitcoin à vista nos EUA, uma eventual vitória de Trump se apresenta como o principal catalisador para que o Bitcoin (BTC) e as altcoins alcancem novas máximas históricas ainda este ano.
No entanto, segundo Kerbage, embora possa ser decisivo em um horizonte de curto prazo, o futuro da indústria não depende do resultado das eleições presidenciais de novembro nos EUA:
"Por mais consequentes que as eleições de novembro possam ser, elas terão, em última análise, pouco impacto na tese de investimento em criptomoedas ao longo de 5, 10 ou 20 anos."
Kerbage destaca quatro fatores mais importantes do que um triunfo republicano ou democrata nas urnas.
O primeiro é a listagem dos ETFs de Bitcoin e de Ether nos Estados Unidos. Além de oferecer exposição a ativos digitais através de um produto regulado, a tendência é que novos ETFs de criptomoedas sejam aprovados no futuro, atraindo mais capital para o mercado.
Em segundo lugar, a integração entre as criptomoedas e as TradFi está em expansão. Gestoras gigantes como a BlackRock já oferecem produtos estruturados on-chain. Antigos críticos, como Larry Fink, CEO da BlackRock, e Jamie Dimon, CEO do JPMorgan, estão mudando de opinião a respeito do Bitcoin.
Embora a adoção em nível estatal ainda seja restrita, o setor público começa a adotar o Bitcoin como um ativo para diversificação de reservas. Como exemplo, Kerbage menciona o investimento de um fundo de pensão com US$ 160 bilhões em ativos sob gestão em um ETF de Bitcoin e o maior plano de pensão do mundo considerando a adoção do criptoativo.
Por fim, eventos como o halving do Bitcoin e as atualizações da Ethereum (ETH) confirmam a resiliência e a utilidade da tecnologia blockchain.
Independentemente dos desdobramentos da política interna dos EUA e de outros países, "a tese de investimento de longo prazo das criptomoedas vem sendo reforçada ao longo de 2024", conclui o executivo da Hashdex.
Impacto das vitórias de Trump ou de Harris sobre as criptomoedas
André Franco, Head de Research do MB, apresentou uma perspectiva semelhante em um vídeo publicado no YouTube na quarta-feira, 30 de julho.
Franco acredita que Trump ainda é o favorito para vencer as eleições de novembro, mas reconhece que Harris é uma candidata mais competitiva que Biden. Um segundo mandato de Trump teria o potencial de desencadear a expansão do mercado no curto prazo, a partir da materialização das promessas de campanha do candidato republicano e da potencial aprovação de um marco regulatório favorável à indústria.
Além disso, o analista afirma que, sob um governo republicano, o Fed tende a acelerar a redução nas taxas de juros, injetando liquidez nos mercados de capitais em benefício de ativos de risco como as criptomoedas e as ações.
Mesmo a eleição de Harris poderia ter efeitos positivos sobre o mercado, afirmou Franco. Tradicionalmente, os democratas têm uma postura mais rigorosa em relação à regulação dos mercados financeiros, e isso pode se traduzir em medidas mais estritas para combater a lavagem de dinheiro, proteger os investidores e garantir a transparência do mercado de criptomoedas.
Embora uma abordagem nesse sentido possa ter efeitos negativos no curto prazo, a tendência é que haja benefícios em um horizonte de tempo estendido, atraindo investidores institucionais que buscam um ambiente mais seguro e regulamentado, afirmou o analista.
Eventuais políticas de incentivo estatal ao crescimento econômico e inclusão financeira também podem contribuir para a adoção mais ampla das criptomoedas nos Estados Unidos, disse Franco.
Conforme noticiado recentemente pelo Cointelegraph Brasil, os traders estão precificando o favoritismo de Trump nos mercados de derivativos, projetando que os preços do Bitcoin e do Ethereum podem subir 14% e 80%, respectivamente, até o vencimento dos contratos em 8 de novembro, três dias após as eleições