O preço do Bitcoin abriu outubro em queda, colocando dúvidas nos traders sobre o potencial do 'Uptober', historicamente um mês de alta para o BTC e o mercado cripto. No entanto, ao longo dos dias, o valor foi se recuperando e chegou a ultrapassar a marca de US$ 69.500, deixando novamente os traders na esperança de uma nova alta histórica.
Para entender para onde vai o preço do Bitcoin nesta semana, o Cointelegraph conversou com dois analistas, Pedro Gutierrez, Diretor Regional Latam da CoinEx e Ana de Mattos, analista técnica e trader parceira da Ripio.
Segundo Gutierrez, as eleições nos EUA, programadas para 5 de novembro, criam um ambiente de incerteza política que provavelmente gerará volatilidade nos mercados financeiros, o que pode impactar o comportamento do Bitcoin.
Além disso, segundo ele, as tensões no Oriente Médio e as recentes decisões do Federal Reserve (FED) sobre as taxas de juros contribuem para um cenário macroeconômico incerto, posicionando o Bitcoin como um potencial ativo de refúgio em tempos de risco.
Diante disso, ele compartilhou alguns níveis importantes que os investidores devem ficar de olho:
- Resistência Imediata: A principal resistência de curto prazo está localizada em 71.362 USDT. O preço tentou se aproximar desse nível nas últimas semanas, mas foi rejeitado.
- Suporte Imediato: O suporte chave mais próximo está em torno de 64.000 USDT, que se alinha com a área recente de consolidação.
- Suporte Secundário: Em caso de uma correção mais profunda, o próximo suporte importante está em torno de 60.000 USDT, um nível psicológico forte.
- Indicadores Técnicos: Nuvem de Ichimoku: O preço está logo abaixo da nuvem, indicando uma possível zona de consolidação. A tendência de baixa no curto prazo pode continuar se o preço não romper a nuvem nos próximos dias.
- Média Móvel de 200 dias (linha verde): O preço está tentando se manter acima dessa média, sugerindo que os compradores ainda têm força. No entanto, uma quebra abaixo desse nível pode sinalizar uma mudança para uma tendência de baixa no curto prazo.
- Volume: O volume tem sido moderado, sugerindo falta de impulso decisivo em qualquer direção. Um aumento no volume será crucial para validar qualquer movimento significativo em direção aos níveis de resistência ou suporte.
Gutierrez aponta também que as expectativas de uma política monetária mais frouxa do FED, incluindo possíveis cortes nas taxas de juros, podem apoiar ativos de risco como o Bitcoin no curto prazo. No entanto, qualquer decisão inesperada pode afetar negativamente os fluxos de investimento em criptomoedas.
"Cenário Altista: Se o preço conseguir superar os US$ 67.519 com volume, é provável que tente outro movimento em direção à resistência de US$ 71.362. Um fechamento diário acima desse nível pode abrir caminho para uma tendência de alta mais forte, à medida que os investidores buscam refúgio no Bitcoin devido à incerteza política e geopolítica.
Cenário Baixista: Se o preço não se mantiver acima de US$ 67.000 e cair abaixo da média móvel de 200 dias, poderemos ver uma correção em direção aos US$ 64.000. Se esse nível for rompido, o próximo suporte importante está em US$ 60.000.
Volatilidade: A volatilidade pode aumentar significativamente à medida que nos aproximamos das eleições dos EUA e mais desenvolvimentos surgem no Oriente Médio, levando a movimentos de preços mais acentuados e rápidos no Bitcoin.
Para onde vai o preço do Bitcoin
A analista Ana de Mattos, apontou que nas últimas semanas, o preço do Bitcoin teve uma recuperação significativa, visitando níveis de resistência importantes em torno de U$ 68.390 e U$ 69.519. Agora, o sentimento do mercado está positivo, marcando 72 pontos no índice de Medo e Ganância.
Segundo ela, há expectativa de um rali em direção aos U$ 71.230 dólares, caso o fluxo comprador continue."6 meses após o halving, que aconteceu em abril de 2024, vamos conferir dados que podem nos dar pistas sobre o comportamento do mercado e sobre o preço do Bitcoin. Historicamente, a tendência após o halving é que ocorra uma breve correção nos preços, para em seguida, o Bitcoin voltar a valorizar e entrar em um período que chamamos de 'rali de alta.
Isso ocorre devido a alguns fatores, como a diminuição da oferta de novos Bitcoins, o aumento de demanda por moedas em circulação e o fator sentimental e psicológico dos investidores em torno do evento", afirmou.
Ela compartilhou um gráfico no qual é possível ver os ciclos do Bitcoin após o halving. A cada ano após o evento, o Bitcoin corrigiu e, em seguida, entrou em rali de alta.
"Este ano, a alta do Bitcoin após o halving ainda não aconteceu. É o que vemos no Indicador de Performance após o halving (gráfico abaixo)
"A linha preta na imagem representa o curso atual de desempenho do Bitcoin após o último halving, em comparação aos últimos 3 eventos (2012, 2016, 2020). Além do choque de oferta causado pelo aumento de demanda por bitcoins e diminuição da oferta circulante, outros fatores podem impulsionar a alta no longo prazo.
Estão no radar o aumento da adoção institucional, a popularização dos ETFs de Bitcoin e fatores macroeconômicos, como os recentes cortes na taxa de juros dos EUA", disse.
Segundo ela, olhando para os gráficos atuais, ao analisar o fluxo, é possível observar que no médio prazo, a força compradora prevalece, sugerindo a continuidade da alta até a resistência de curto e médio prazo nas faixas de preços de US$ 71.230 e US$ 73.777.
"Os suportes de curto e longo prazo estão nas áreas de liquidez dos US$ 65.665 e US$ 63.280", revelou.
Ela também destacou que o preço do Ethereum atingiu a máxima de US$ 2.769 no dia 20 de outubro, e no momento em que escrevo esta publicação, o preço do ETH recuou e voltou a ser cotado por US$ 2.705 por moeda.
"Se houver continuidade do movimento de queda, no curto e médio prazo haverá suporte nas faixas de preços de US$ 2.540 e US$ 2.460. Mas, apesar da correção de curto prazo, ao analisar o fluxo considerando o longo prazo, o preço do ativo ainda sugere alta. Contudo, para que essa alta ocorra, é preciso que o preço do Ethereum supere a resistência das regiões de liquidez dos US$ 2.790 e US$ 2.900", analisou.
Fechando a análise, ela afirma que o destaque da semana vai para a APE, que entre os dias 16 e 20 de outubro teve uma valorização de +152%. A APE deixou de ser negociada por US$ 0.696 e atingiu a máxima de US$ 1.75 entre os períodos acima citados.
"Ao analisar o fluxo, é possível observar que o preço da APE está próximo da resistência dos US$ 1.80, portanto, caso o token atinja essa faixa de preço, possivelmente veremos correção.Os suportes estão nas regiões de liquidez dos US$ 1.40 e US$ 1.17", finaliza,