Bio:
Rudá Pellini é cofundador e responsável pela área de novos negócios da Wise&Trust, fintech americana que aplica machine learning para gerir fundos de investimento em ativos digitais.
Além disso, é autor do livro “O Futuro do Dinheiro”, no qual reúne alguns dos maiores especialistas do Brasil e do mundo para falar sobre como a tecnologia vai impactar no dinheiro e promover a próxima revolução financeira.
O primeiro contato com Bitcoin aconteceu no fim de 2015 e, no ano seguinte, Rudá Pellini decidiu estudar e aprofundar-se no tema.
O impacto do Covid-19 no mercado de criptomoedas
O esforço para conter a disseminação da doença acabou impactando seriamente a economia mundial, ao parar quase que completamente um “carro” que estava em movimento.
Em termos conceituais, oficialmente, estamos em um bear market e há uma grande possibilidade de enfrentarmos uma recessão semelhante ou até pior que a Grande Depressão de 1929.
O risco de a crise provocada pela pandemia resultar em uma crise sistêmica está gradativamente aumentando. Em uma crise sistêmica, a estabilidade do sistema é colocada à prova e temos um aumento da desconfiança nas instituições.
Em 2018, 1 em cada 5 americanos ainda não confiava no sistema bancário. Em um sistema baseado em confiança, quando esse laço é rompido há uma grande ruptura cultural e social.
O Bitcoin surge da crise de 2008 justamente pela necessidade de um sistema onde não é necessário confiança em instituições ou representantes públicos, somente no código e matemática.
O mercado global de criptomoedas daqui a 10 anos
O futuro do dinheiro vai passar pela adoção global de criptomoedas e tokens. Provavelmente, em alguns anos, teremos carteiras digitais no celular que servirão para armazenar todos os seus diferentes tipos de dinheiro ou ativos digitais: moedas governamentais, Bitcoins, talvez a própria Libra do Facebook ou de algum concorrente, ações ou frações de ações de empresas em tokens.
Quando alguém fizer alguma compra, escolherá com qual dessas “moedas” será mais vantajoso pagar. Já pensou em pagar por um iPhone novo usando frações de ações da Apple?
O futuro para as criptomoedas no Brasil?
Acredito que no Brasil teremos um cenário semelhante ao mundial, mas com a curva de adoção mais lenta em função de entraves regulatórios e burocracias.
Apesar de hoje estarmos percebendo um aumento do interesse na desburocratização, ainda temos espaço para iniciativas governamentais e tentativas de controle que acabam sufocando empreendedores e novas tecnologias.
Seu papel na indústria de criptomoedas e blockchain
Continuar tentando transmitir conhecimento e educação para auxiliar as pessoas a entenderem o mercado, de modo que estejam aptas a tomar suas próprias decisões sem medo e evitando golpes e fraudes. Seguir fazendo um bom trabalho na Wise&Trust permitindo que investidores tenham exposição nesse mercado de forma regulada e segura.