Bio:
Rocelo Lopes é formado em computação e trabalhou em empresas de suporte e consultoria para big techs como IBM, Microsoft, Novell e Oracle.
Em 2002, fundou a Othos Telecom, empresa que o fez ter seu primeiro contato com o Bitcoin quando, em 2013, um dos clientes ofereceu o pagamento da dívida de US$ 180 mil com o ativo digital.
A partir daí, viajou para Hong Kong, Singapura e Japão para aprender mais sobre o BTC. Investiu em mineração e em seguida fundou a CoinBR.
Com a necessidade da internacionalização da marca e de expansão dos mercados, em 2016 foi anunciada a fusão da CoinBR com o fundo de investimentos Stratum.
Hoje, a Stratum Group conta com a SmartWallet, StratumBlue e Stratum X, com operações na América Latina, África e Europa.
O impacto do Covid-19 no mercado de criptomoedas
O mercado cripto tem seguido os movimentos de queda das bolsas de valores do mundo todo, mas como não temos qualquer tipo de intervenção governamental ou de instituições regulamentadoras, nem temos também o circuit breaker nem os horários definidos de negociação.
Isso me leva a crer que, se não fossem essas intervenções, o mercado tradicional teria caído muito mais que o mercado cripto.
Por outro lado, se pensarmos que para transformar ações em dinheiro corrente o investidor precisa esperar pelo menos dois dias úteis, há a vantagem de que a liquidez das criptomoedas é instantânea, já temos uma API ligada a um cartão de crédito pré-pago, por exemplo, o investidor pode transformar sua cripto em dinheiro a qualquer hora, até na madrugada de um final de semana, e usá-la na mesma hora.
Espero que essa crise passe logo, claro, mas que também mude a visão dos investidores sobre a necessidade de liquidez instantânea e acesso facilitado (na Stratum, por exemplo, é possível comprar criptomoedas a partir de 25 reais).
O mercado global de criptomoedas daqui a 10 anos
Dez anos atrás, pouco depois do surgimento do Bitcoin, eram pouquíssimas pessoas que já tinham ouvido falar sobre criptomoedas e menos pessoas ainda que possuíam criptos.
Nesse período, temos visto um crescimento exponencial ano a ano, e tenho certeza que nos próximos dez anos isso continuará, levando as criptomoedas a um outro patamar.
Já faz alguns anos que venho explorando a usabilidade das criptomoedas no dia a dia, desenvolvendo ferramentas e APIs para pagamento de boletos, recarga de telefones pré-pagos e cartões de crédito pré-pagos, por exemplo, inclusive dando a oportunidade da população desbancarizada de poder ter investimentos com poucos recursos e ainda utilizá-los como um serviço de banco. E em dez anos acredito que isso será normal.
O futuro para as criptomoedas no Brasil?
O Brasil ainda precisa evoluir muito. Governo e instituições reguladoras devem aprender o que são criptomoedas, para que servem e com qual objetivo foram criadas. Receita Federal e instituições bancárias devem aprender a não vazar dados.
Quando essas e outras questões forem arrumadas, tenho certeza que, com a criatividade e a obstinação dos brasileiros, o mercado de criptomoedas tende a saltar e a criar diversas novas empregabilidades e soluções para as criptos. Mas há um longo e árduo percurso antes disso.
Seu papel na indústria de criptomoedas e blockchain
Eu já estou no mercado cripto há 7 anos. Já abri caminhos para muita garotada nova que está chegando agora, já briguei com muita gente grande de governos, órgãos públicos, bancos e regulamentadores. Já criei muita solução para o uso de criptomoedas.
Mas não vou parar por aqui. Ainda não estou contente com os resultados, e espero poder continuar contribuindo para tornar o mercado de criptomoedas cada vez mais acessível, fácil e prático para todos.