O Banco Mundial divulgou uma pesquisa interna na qual aponta os contratos inteligentes (smart contracts) como instrumentos para promover a inclusão financeira nos países onde a obtenção de crédito e a desbancarização são problemas ainda não resolvidos, caso dos países em desenvolvimento como o Brasil.

O pesquisador responsável pela pesquisa, Ivor Istuk, afirma que o Banco Mundial está olhando atentamente para os smartcontracts como um instrumento de inclusão.

Diversos líderes empresariais globais estão confiantes sobre a utilidade dos contratos inteligentes, segundo o documento. Na Pesquisa Blockchain da Deloitte em 2019, com mais de 1.300 executivos seniores globais, 95% dos entrevistados acreditam que contratos inteligentes são um benefício importante da blockchain.

No entanto, a ampla adoção de contratos inteligentes está condicionada à aceitação da blockchain e, embora o otimismo da blockchain seja forte, os aplicativos são incipientes, por enquanto. Espera-se que o desenvolvimento do mercado de Finanças Descentralizadas (DeFi), ajudem a impulsionar esse cenário.

Embora 83% dos entrevistados da Deloitte acreditem que exista um caso de negócios atraente para blockchain, a parcela de entrevistados que iniciaram implementações de blockchain diminuiu de 34% em 2018 para 23% em 2019. Ainda não há dados consolidados para 2020, mas por conta da pandemia, espera-se que não haja muita diferença nesses números para a próxima pesquisa.

Essa mesma percepção de que as inovações trazidas pelos criptoativos poderiam ser abraçadas pelo setor financeiro tradicional foi compartilhada por Christine Lagarde, diretora do Banco Central Europeu, durante sua gestão à frente do Fundo Monetário Internacional (FMI). 

Em uma publicação no blog oficial do FMI em 16 de abril de 2018, Christine Lagarde expôs algumas opiniões sobre o uso do criptoativos para o dia a dia das pessoas.

"Os criptoativos poderiam ter um impacto significativo sobre como economizar, investir e pagar nossas contas”.

Lagarde disse que, embora as criptos tenham algumas desvantagens, elas “permitem transações financeiras rápidas e baratas, enquanto oferecem um pouco da conveniência do dinheiro”.

Ela dizia ainda que a tecnologia blockchain pode fazer com que “os mercados financeiros funcionem com mais eficiência”. Enquanto os contratos inteligentes podem “eliminar a necessidade de alguns intermediários”.

Smart contracts como instrumentos financeiros

Apesar da lenta aceitação dos contratos inteligentes, os formuladores de políticas podem começar a avaliar questões políticas importantes para garantir a implantação responsável e eficaz de tais contratos, afima o estudo do Banco Mundial.

Segundo o relatório, as principais considerações devem incluir como os contratos inteligentes acomodarão os padrões financeiros de proteção ao consumidor, os requisitos de due diligence do cliente e as determinações legais fundamentais, além de como os contratos inteligentes podem se beneficiar da padronização, verificação e automação da fonte de dados.

Com implantação do 5G e disseminação dos serviços financeiros pelas fintechs, espera-se que haja uma expansão considerável das demandas por essas tecnologias. Responder a essas perguntas e garantir uma implementação eficaz de contratos inteligentes pode, em última análise, contribuir para o avanço do acesso a serviços financeiros úteis e acessíveis.

Contudo, para Ivor Istuk, ainda que os contratos inteligentes possam gerar ganhos de eficiência em várias fases do ciclo de vida de um empréstimo, os processos de solicitação e aprovação de muitas formas de empréstimos não garantidos, como cartões de crédito e empréstimos baseados em dinheiro móvel, já são altamente automatizado. Além disso, um fator importante no custo do crédito ao consumidor é o risco de crédito, e os contratos inteligentes pouco farão para melhorar a capacidade de crédito dos mutuários. Portanto, nesse caso, os benefícios dos contratos inteligentes podem ser limitados, visto que os riscos sistêmicos da própria aprovação de crédito são muito grandes.

LEIA MAIS