Resumo da notícia
Finanças híbridas ganham força global em 2026.
Adoção institucional do Bitcoin cresce rapidamente.
Tokenização avança com bancos e gestoras tradicionais.
Em seu relatório Digital Asset Outlook 2026, a CoinShares International Limited (Nasdaq Estocolmo: CS; US OTCQX: CNSRF) afirma que essa convergência, e não a disrupção, definirá os próximos anos. O documento apresenta o conceito de “finanças híbridas”, entendido como a fusão dos ecossistemas de cripto com os sistemas financeiros tradicionais, criando uma infraestrutura que nenhuma das indústrias seria capaz de construir sozinha.
“Os ativos digitais não operam mais fora da economia tradicional”, disse Jean-Marie Mognetti, CEO da CoinShares. “Eles estão cada vez mais integrados a ela. Se 2025 foi o ano do retorno elegante, 2026 parece estar posicionado para ser um ano de consolidação dentro da economia real.”
De acordo com a Coinshares, a escala dessa integração já pode ser medida. Os volumes de transações com stablecoins rivalizam com Visa e Mastercard somadas, e o secretário do Tesouro dos EUA, Scott Bessent, projeta um mercado de US$ 3 trilhões até 2030. Os ativos tokenizados, liderados por crédito privado e Treasuries, mais do que dobraram em 2025. Um único protocolo de empréstimos DeFi, o AAVE, já possui liquidez suficiente para figurar entre os cinquenta maiores bancos dos Estados Unidos.
O fundo tokenizado BUIDL, da BlackRock, os depósitos tokenizados do J.P. Morgan na Base e a stablecoin PYUSD, do PayPal, indicam que o setor financeiro tradicional deixou de observar à distância e está, de fato, construindo sobre blockchains públicas.
O Bitcoin entra no mainstream
A transformação do Bitcoin acompanha esse movimento. Os ETFs spot dos Estados Unidos já atraíram mais de US$ 90 bilhões. Tesourarias corporativas acumularam mais de 1 milhão de BTC em 190 empresas listadas, quase quatro vezes o total de dezoito meses atrás. O mercado de opções amadureceu, restrições de planos de aposentadoria foram flexibilizadas e o governo dos EUA estabeleceu uma reserva estratégica de Bitcoin.
O relatório projeta que a adoção no mainstream continuará em 2026: corretoras nacionais abrindo alocações formais em ETFs de Bitcoin, ao menos um grande provedor de 401(k) habilitando exposição ao ativo e bancos custodiais oferecendo serviços institucionais de liquidação direta.
Em relação ao preço, a CoinShares esboça três cenários possíveis, de acordo com o ambiente macroeconômico:
um pouso suave com ganhos de produtividade poderia empurrar o Bitcoin além de US$ 150.000;
um crescimento moderado, porém estável, sugere uma faixa entre US$ 110.000 e US$ 140.000;
já estagflação ou recessão criariam pressão de curto prazo antes de uma recuperação.
A disputa para se tornar a camada de liquidação das finanças híbridas está acelerando. O Ethereum segue dominante, com US$ 13 bilhões em entradas líquidas de ETFs e iniciativas institucionais como a implantação do J.P. Morgan na rede Base. A Solana protagonizou um retorno expressivo, elevando seu suprimento de stablecoins de US$ 1,8 bilhão para US$ 12 bilhões desde janeiro de 2024. A Hyperliquid, uma plataforma de derivativos com apenas onze funcionários, já processou quase US$ 3 trilhões em volume acumulado e retorna 99% das receitas aos detentores do token por meio de recompras diárias.
“2026 será definido por um sistema financeiro que está, silenciosamente, se reconstruindo ao redor de blockchains públicas e camadas digitais de liquidação”, afirmou James Butterfill, chefe de pesquisa da CoinShares. “Mercados, reguladores e instituições agora tratam o cripto como parte da indústria financeira, e não como uma exceção.”
Transformação da indústria
O relatório mostra que distintas filosofias regulatórias estão emergindo globalmente. O MiCA, na União Europeia, agora fornece segurança jurídica abrangente sobre emissão, custódia e negociação
. Nos Estados Unidos, o GENIUS Act classifica stablecoins de pagamento como não valores mobiliários e exige respaldo em títulos do Tesouro, criando nova demanda por dívida pública americana entre emissores globais de stablecoins. Na Ásia, os reguladores avançam rumo a padrões prudenciais inspirados em Basileia, com Hong Kong finalizando exigências de capital cripto a serem implementadas em janeiro de 2026.
Ainda de acordo com a empresa, dois movimentos adicionais indicam mudanças estruturais, no setor. Mineradoras de Bitcoin anunciaram US$ 65 bilhões em contratos de computação de alta performance (HPC) e inteligência artificial com hyperscalers, transformando essas empresas de mineradoras puras em fornecedoras diversificadas de infraestrutura computacional.
Além disso, mercados de previsão alcançaram relevância mainstream depois que a Intercontinental Exchange (ICE), controladora da Bolsa de Nova York, fez um investimento estratégico de até US$ 2 bilhões na Polymarket, cujas probabilidades de mercado agora funcionam como um sistema de previsão preciso, rivalizando com pesquisas tradicionais.

