A senadora Elizabeth Warren, do Partido Democrata de Massachusetts, uma oponente declarada dos ativos digitais no Congresso dos Estados Unidos, pediu aos grupos de defesa das criptomoedas que respondam a perguntas sobre a cooptação de ex-funcionários do governo e ex-congressistas para atuarem em defesa do setor.
Em cartas enviadas em 18 de dezembro para a liderança dos grupos de defesa das criptomoedas Coin Center e Blockchain Association, a senadora Warren citou uma reportagem do site Politico que afirmava que certas entidades da indústria de criptomoedas tinham arregimentado um "pequeno exército de ex-funcionários de defesa, segurança nacional e aplicação da lei" com o objetivo de impedir a regulamentação de ativos digitais nos Estados Unidos. Ela reiterou as alegações de que as criptomoedas foram usadas para financiar organizações terroristas, incluindo o Hamas – o grupo por trás do ataque a Israel em 7 de outubro.
De acordo com a senadora Warren, o entra e sai de funcionários públicos e congressistas e a indústria de criptomoedas sugere que muitos funcionários do governo poderiam estar preparando o terreno enquanto ocupam cargos públicos para buscarem cargos como lobistas favoráveis aos ativos digitais. Ela fez referência ao Conselho Consultivo Global da exchange de criptomoedas Coinbase, que inicialmente incluía o ex-senador Patrick Toomey, os ex-deputados Tim Ryan e Sean Patrick Maloney.
"Esse abuso é terrível e revela que a indústria de criptomoedas está gastando milhões para dar a si mesma um verniz de legitimidade enquanto luta com unhas e dentes para impedir que regras de bom senso destinadas a restringir o uso de criptomoedas para financiamento do terrorismo sejam aprovadas – regras essas que poderiam reduzir os lucros das empresas de criptomoedas", disse a senadora Warren.
A congressista de Massachusetts solicitou que os grupos de defesa das criptomoedas fornecessem informações até 14 de janeiro sobre o número de "ex-militares, funcionários públicos civis ou membros do Congresso" empregados no setor e suas respectivas remunerações. Ela também solicitou às organizações detalhes sobre o código de ética estabelecido para tratar desses possíveis conflitos de interesse.
"A senadora Warren deveria concentrar seus esforços nos criminosos, e não naqueles que trabalham lado a lado com as autoridades policiais dos EUA para capturar maus atores", disse a CEO da Blockchain Association, Kristin Smith, em resposta à carta.
1/ Tonight, I received a letter from Sen. Warren criticizing a recent letter to Congress cosigned by dozens of former US military, intelligence officers, and national security professionals.
— Kristin Smith (@KMSmithDC) December 19, 2023
Here’s the letter from Nov. 15: https://t.co/IFBH7m5ywU
1/ Hoje à noite, recebi uma carta da senadora Warren criticando uma carta recente enviada ao Congresso, assinada por dezenas de ex-militares, oficiais de inteligência e profissionais de segurança nacional dos EUA.
Aqui está a carta de 15 de novembro:
— Kristin Smith (@KMSmithDC)
O CEO do Coin Center, Jerry Brito, referiu-se à carta no X – antigo Twitter – classificando-a como "impertinente" e um "golpe publicitário de intimidação", acrescentando:
"[A senadora Warren] diz que o público 'merece transparência', mas esse ponto de vista implica em que as organizações sem fins lucrativos não sejam dignas de privacidade contra a intrusão do governo."
Desde o ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro e as reportagens publicadas em seguida que sugeriam que as criptomoedas financiavam o grupo – das quais pelo menos uma história foi corrigida posteriormente – a senadora Warren parece ter intensificado suas ações no Congresso para angariar apoio para sua Lei de Combate à Lavagem de Dinheiro com Ativos Digitais. Embora apoiada por muitos congressistas de ambos os partidos, o projeto de lei recebeu diversas críticas de grupos de defesa das criptomoedas, que afirmam que o projeto não tem fundamentos para evitar o uso ilícito de ativos digitais.
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