Venezuela usará Petro como unidade monetária para salários, bens e serviços

O presidente venezuelano Nicolás Maduro anunciou que a criptomoeda nacional apoiada pelo petróleo, o Petro, será usado como uma unidade monetária dentro do país, informou o canal de notícias ABC International em 14 de agosto.

Nicolás Maduro teria anunciado em um discurso na televisão que a estatal petrolífera PDVSA usará o Petro como unidade monetária. Além disso, o governo introduzirá um novo sistema salarial e um sistema de preços para bens e serviços ancorados no Petro. Diz a ABC citando Maduro:

“A partir da próxima segunda-feira, a Venezuela terá uma segunda unidade monetária baseada no preço, o valor do Petro. Será uma segunda unidade monetária da República e iniciará as operações como uma unidade monetária obrigatória de nossa indústria de petróleo PDVSA.”

Segundo Maduro, a implementação de um novo sistema de salários e preços baseado no Petro “significará uma melhora substancial na renda dos trabalhadores” e ajudará “o preço máximo de varejo a reaparecer”.

A partir de 20 de agosto, a Venezuela terá duas moedas do governo, o Petro e o bolivar soberano, sendo a última indexada à primeira. O bolivar soberano terá cinco zeros a menos que a moeda nacional atual, o bolivar fuerte, em uma eventual reconversão monetária.

O Banco Central (BCV) declaradamente “começará a publicar os números oficiais do valor do bolívar soberano de acordo com o Petro e o valor do petro segundo as moedas internacionais”. Maduro também disse que o BCV e os bancos privados do país já receberam as novas notas.

O governo venezuelano lançou a pré-venda do Petro em fevereiro, com 82,4 milhões da primeira criptomoeda do mundo apoiada pelo petróleo disponível na época. O país introduziu a moeda na tentativa de atrair investidores estrangeiros e fugir das sanções dos EUA e da UE, bem como superar a hiperinflação catastrófica, que deverá atingir 1.000.000 por cento em 2018.

De acordo com o livro branco do Petro, a criptomoeda cumpre totalmente com a legislação venezuelana, embora a oposição na Assembleia Nacional tenha alegado publicamente que a emissão do Petro era ilegal.

Embora algumas partes do documento não contenham detalhes precisos e outras não sejam sustentadas por argumentos suficientes, há alguns casos claros de uso econômico. O pagamento de impostos e outras liquidações com órgãos estatais seria pelo menos 10% mais barato com a Petro, que deve ser expandida para outros mercados de pagamento no futuro.

O livro branco diz que o Petro pode ser facilmente convertido em dólares americanos e outras moedas, o que ajudará a Venezuela no comércio de exportação. Ainda assim, existe a possibilidade de que possa ser comprado com fundos que foram recebidos ilegalmente em casas de câmbio cripto ou em particular e depois trocados por petróleo que pode ser "lavado" e documentado para ser vendido através de práticas de negócios acima do conselho em várias jurisdições.