Brian Armstrong, CEO da exchange de criptomoedas Coinbase, enfatizou que regulamentar as criptomoedas não é uma “ciência exata” e está confiante de que os Estados Unidos alcançarão clareza regulatória, “mesmo que demore um pouco” para tal.
Armstrong concedeu uma entrevista ao The Wall Street Journal em 11 de junho, poucos dias depois que a Comissão de Valores Mobiliários dos EUA (SEC) entrou com uma ação contra a Coinbase em 6 de junho. A SEC alega que a Coinbase tem operado uma exchanges de valore mobiliários, uma corretora concessionária e uma câmara de compensação sem registro formal junto à agência.
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— Brian Armstrong ️ (@brian_armstrong) June 10, 2023
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Armstrong falou sobre o processo na entrevista, explicando que acredita que esses registros não eram necessários para as operações da Coinbase.
“Os ativos que negociamos são commodities, então eles não exigem esses registros […] estamos negociando em nossa exchange de commodities de criptomoedas.”
Apesar de não afirmar que a Coinbase é uma corretora, Armstrong mencionou que a exchange enfrentou dificuldades para registrar uma licença.
“Não afirmamos ser corretores, adquirimos uma licença de corretora que ainda está inativa porque eles não nos permitem ativá-la”, disse ele.
Sobre a regulamentação, Armstrong explicou que não se trata de uma “ciência exata” e os EUA alcançarão a “solução certa, mesmo que demore um pouco.”
Ele destacou que o processo da SEC contra Coinbase é importante para a indústria de criptomoedas dos EUA como um todo e espera que ele acabe gerando maior clareza regulatória para a indústria e evite que o país “fique para trás” em relação ao resto do mundo.
Armstrong acredita que, uma vez que haja regulamentos claros e estáveis sobre criptomoedas nos EUA, isso incentivará o retorno dos empreendedores do setor ao país.
“Veremos empreendedores que deixaram os EUA voltarem. Eles dirão que não seremos atacados aleatoriamente ou seremos alvos de processos legais a qualquer momento.
Em 11 de abril, o Cointelegraph informou que a participação dos desenvolvedores cripto globais nos EUA caiu 26% de 2018 a 2022. A “ausência de clareza regulatória” foi um fator significativo para esse recuo e, como resultado, “a vantagem da América pode estar comprometida.”
Armstrong destacou os principais pontos da regulamentação que ele acredita que precisam ser esclarecidos, incluindo "limites" claros entre os dois principais reguladores financeiros dos Estados Unidos: a SEC e a Comissão de Negociação de Futuros de Commodities (CFTC).
Ele apontou que, enquanto outros países, como o Reino Unido, têm um regulador financeiro, os EUA estão atualmente vendo uma “guerra territorial” entre duas agências regulatórias.
Ele acredita que várias leis fundamentais dos mercados financeiros tradicionais podem ser simplesmente adotas, como proteção básica ao consumidor, requisitos de auditoria de demonstrações financeiras e procedimentos para combate à lavagem de dinheiro e de identificação de clientes (KYC).
Armstrong reiterou que atualmente “não há um livro de regras claro” para a regulação das criptomoedas nos EUA e, apesar de pedir continuamente à SEC mais clareza, a Coinbase não conseguiu “obter nenhum retorno.”
A entrevista foi concedida depois que Armstrong respondeu ao processo da SEC contra a Coinbase pelo Twitter em 7 de junho, dizendo que está orgulhoso de “representar a indústria no tribunal” para obter alguma “clareza sobre as regras do mercado de criptomoedas."
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