Relatório do Departamento de Defesa dos EUA sugere que Russia utilizou Bitcoin para influenciar eleições de 2016

Um relatório do Departamento de Defesa dos EUA sugere que Russia utilizou Bitcoin para influenciar eleições de 2016 no país norte-americano, que teve Donald Trump como principal vitorioso.

Segundo o Relatório Mueller, um ramo de inteligência do governo russo usou o Bitcoin para financiar seus esforços de guerra cibernética para interferir na eleição presidencial dos EUA em 2016.

Depois de uma investigação de dois anos, o "Relatório sobre a investigação na interferência russa nas eleições presidenciais de 2016" detalha as pistas descobertas pelo membro do Conselho Especial Robert Mueller e sua equipe.

O relatório pondera sobre se a campanha de Trump era ou não conivente com a Rússia dificultar a corrida de Hillary Clinton para a presidência em 2016.

O procurador-geral dos Estados Unidos, William Barr, afirmou ao NY Times, no final de março, que a investigação não encontrou evidências de tal conluio, e o Departamento de Justiça dos EUA (DoJ) divulgou uma versão redigida do relatório completo em 18 de abril de 2019.

Dentro do artigo há uma pequena seção que detalha o papel do bitcoin no financiamento dos esforços da guerra cibernética do governo russo.

"... intrusões cibernéticas (hacking) e lançamentos de materiais hackeados [foram] prejudiciais à Campanha Clinton", diz o relatório em sua quarta página. “O serviço de inteligência russo conhecido como Diretor Geral de Inteligência do Estado Maior do Exército Russo (GRU) realizou essas operações.”

Duas unidades militares do GRU, o relatório continua cerca de 30 páginas depois, hackearam os computadores pertencente à campanha de Clinton, ao Comitê Nacional Democrático (DNC) e ao Comitê Democrata da Campanha Congressional (DCCC).

O hack levou a vazamentos de e-mail que revelaram que o DNC deu a Clinton tratamento preferencial durante as primárias democratas de 2016.

Uma sub-unidade de uma dessas duas subdivisões militares russas executou “uma operação de mineração de bitcoin para proteger bitcoins usados para comprar infraestrutura de computadores usada em operações de hackers”, afirma o relatório.

Outros executavam “campanhas de phishing” via email ou desenvolviam malwares específicos para obter acesso ao hardware e dados DNC.

De acordo com o relatório, esta unidade de TI armazenou esses bitcoins no CEX.io, baseado no Reino Unido, um serviço de mineração em nuvem de criptomoedas e exchange. Eles também usaram uma parte do Bitcoin minerado para comprar anonimamente o nome de domínio “dcleaks.com” em 19 de abril de 2016.

Quando perguntado no Economic Club of Washington em janeiro de 2018 se essa atividade é ou não causa de preocupação, o secretário do Tesouro dos EUA, Steven Mnuchin, afirmou: "Eu não acho que isso seja uma preocupação", acrescentando que as exchanges de criptomoedas são mantidas no mesmo padrão dos regulamentos dos bancos.

Os detalhes da declaração do secretário do tesouro norte-americano foram divulgados em reportagem do Cointelegraph Brasil.