A Binance anunciou oficialmente que desistiu de comprar a FTX. A decisão foi revelada pelo perfil oficial da Binance no Twitter. Conforme havia sido publicado mais cedo, a desistência ocorre depois da Binance analisar os fluxos de caixa da FTX.
Com a desistência da Binance em comprar a FTX a empresa de Sam Bankman Fried deve decretar falência já que o empresário adimtiu que a FTX não tem liquidez para pagar seus usuários.
As a result of corporate due diligence, as well as the latest news reports regarding mishandled customer funds and alleged US agency investigations, we have decided that we will not pursue the potential acquisition of https://t.co/FQ3MIG381f.
— Binance (@binance) November 9, 2022
Na publicação a Binance afirmou que no início das conversas a esperaça da exchange era poder oferecer suporte aos clientes da FTX para fornecer liquidez, "mas os problemas estão além de nosso controle ou capacidade de ajudar", revelou.
"Toda vez que um grande player de um setor falha, os consumidores de varejo sofrerão. Vimos nos últimos anos que o ecossistema de criptomoedas está se tornando mais resiliente e acreditamos que, com o tempo, os valores discrepantes que abusam dos fundos dos usuários serão eliminados pelo mercado livre", detacou.
A Binance disse ainda que à medida que as estruturas regulatórias são desenvolvidas e a indústria continua a evoluir para uma maior descentralização, o ecossistema se fortalecerá.
Problemas na FTX
Os problemas de liquidez da FTX se tornaram públicos há cerca de 1 semana, em 02 de novembro, quando uma reportagem do Coindesk revelou que os fundos da Alameda Research, estimados em US$ 13 bilhões eram praticamente 100% garantidos por tokens FTT da FTX, empresa do mesmo grupo da Alameda Research.
A publicação levou o mercado a questionar a liquidez da FTX e da Alameda. Pouco tempo depois, CZ, CEO da Binance, anunciou que iria vender todos os tokens FTT que a exchange possuia (a Binance era invetidora da FTX) e acusou a empresa de Sam Bankman Fried de fazer lobby contra a Binance e comparou a FTX com a Terra (LUNA).
Depois da publicação de CZ milhares de investidores correram para sacar seus recursos da FTX, aumentando os problemas de liquidez. Segundo fontes, Sam Bankman Fried procurou bilionários americanos para obter recursos emergenciais para salvar a empresa e teria batido na porta da Coinbase pedindo dinheiro.
No entanto não foi atendido por ninguém, até que em um telefone com CZ, este ficou de analisar a empresa e decidir pela compra da FTX, o que, como revelado agora, não vai ocorrer.
Bitcoin derrete
A decisão da Binance rapidamente se tornou um dos tópicos mais quentes do Twitter e foi logo sentida pelo mercado e levou o Bitcoin (BTC) para seu menor valor no ano, na faixa dos US$ 15 mil. Junto com ele o Ethereum (ETH) caiu para US$ 1.118 e o BNB (BNB) para US$ 264. O valor total do mercado de criptomoeda que já esteve acima de US$ 3 trilhões em 2021, recuou para US$ 805 bilhões.
Solana (SOL) foi um dos tokens que mais perdeu valor e registra uma baixa de 45% sendo negociado em US$ 12,58. Já o FTT, token nativo da FTX, amarga mais uma queda de mais de 50%, sendo negociado em US$ 2,45 (no começo da crise ele era negociado acima de US$ 22).
Comentando o assunto, José Artur Ribeiro, CEO da Coinext, afirmou ao Cointelegraph que a crise da FTX é mais um capítulo do momento complicado para as criptomoedas neste ano. Segundo ele, movimentos como estes impactam diretamente o sentimento de investidores sobre as criptomoedas.
Desse modo, a liquidação de criptos é uma resposta direta desses acontecimentos, visto que o receio sobre mais um colapso de outra grande empresa cripto toma conta de investidores. Além disso, como muitos estão sacando seus valores da FTX, temos uma redução significativa no valor de mercado conjunto das criptomoedas.
"Porém, esse movimento não deve ser permanente. Existem grandes oportunidades nesses momentos, sobretudo quando olhamos para criptomoedas mais consolidadas como o Bitcoin. O BTC acompanhou o mercado cripto como um todo, mas, está livre de um possível colapso, receio de quem investe em FTT, token da FTX. É possível que nos próximos dias, o Bitcoin volte ao patamar que acompanhamos nas últimas semanas, deixando esse acontecimento para trás e voltando a se preocupar com o cenário econômico internacional.”, afirmou.
Já Reinaldo Rabelo, CEO do Mercado Bitcoin, disse que certamente, a falta de liquidez da FTX vai afetar quem estiver exposto à plataforma - isso inclui arbitradores, traders, investidores pessoas físicas e, até mesmo, fundos e exchanges.
"O MB não tem nenhuma exposição a FTX, tampouco a seu token, FTT. E defendemos, desde 2013, a segregação patrimonial - uma empresa não pode usar dinheiro de clientes para sustentar suas operações. Essa exposição do dinheiro de clientes a riscos que a FTX ou Alameda resolveu tomar que provocou a quebra do SBF. Uma plataforma de negociação não deveria ser, também, arbitrador contra o próprio livro, contra os seus clientes" afirmou.
Empresas brasileiras se pronunciam sobre exposição na FTX
Os desdobramentos da crise de liquidez da FTX que abalou o mercado de criptomoedas, pode, em breve, chegar ao Brasil já que algumas empresa nacionais possuem exposição em FTT e na exchange. As informações foram revelada pelo perfil @misescapital no Twitter.
O perfil usou documentos enviados pelas empresas nacionais para a Comissão de Valores Mobiliários (CVM) e que apontam participação da Giant Steps com posições na FTX e FTT. Como os documentos da CVM não são 'on time' não é possíve saber se a empresa já se desfez de suas participações ou se ela ainda contam com os ativos.
Outra empresa nacional que pode ser atingida pela crise na FTX é a Transfero que desde 2020 tem a Alameda Research como um de seus investidores e provedores de solução de infra estratura.
Em nota encaminhada ao Cointelegraph a Transfero afirmou que não possui exposição relevante à referida exchange, pois mantém sua custódia de ativos digitais junto à Fireblocks.
"Além disso, a Transfero é emissora do token BRZ (token este negociado na plataforma da corretora), o que torna a FTX credora em relação à Transfero. Apesar dos impactos macro no mercado de cripto, as atividades da nossa empresa se mantém normalizadas. Estamos à disposição de nossos clientes sempre que precisarem", disse Carlos Eduardo Franco Russo, CFO da Transfero.
Samir Kerbage, Chief Product Officer da Hashdex, também foi a público esclarecer que a empres não tinha nenhum exposição na FTX.
"Primeiramente, nenhum dos produtos da Hashdex possui exposição à Alameda Research, à FTX, ou ao token FTT. Por política interna, a Hashdex não armazena criptoativos em corretoras de cripto (inglês: exchanges), utilizando exclusivamente contas segregadas e desconectadas da internet (cold storage) em custodiantes regulados, que aderem aos mais altos padrões de supervisão, auditoria e segurança", afirmou.
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