O Bitcoin (BTC) ensaiou uma tentativa de retomar níveis mais altos de preço no início da semana, subindo com o ligeiro otimismo do mercado nos EUA, porém o otimismo não durou muito tempo e, em descompasso com o mercado americano, devolveu todos os ganhos da semana voltando a cair abaixo de US$ 30 mil e consolidando o movimento lateral.

Nicholas Cawley, estrategista do DailyFX, aponta que o "mini renascimento" do Bitcoin e do Ethereum foi desencadeado pelos dados de inflação dos EUA marginalmente melhores do que o esperado na última sexta-feira, que levaram a rumores de que o Fed pode aumentar as taxas de juros de forma menos agressiva do que se pensava originalmente.

Ele destaca que os contratos perpétuos de Bitcoin e Ethereum mostram uma taxa de financiamento marginalmente positiva, destacando que os compradores são mais proeminentes , enquanto os fundos Bitcoin viram entradas positivas na semana passada, de acordo com dados da Coinshares.

Porém, para ele, a perspectiva ainda continua a mesma: novas baixas ou negociação lateral.

"Embora o histórico do Bitcoin seja marginalmente mais positivo, deve-se lembrar que isso é de um nível de preço deprimido. A perspectiva técnica é neutra na melhor das hipóteses e o BTC realmente precisa ser negociado acima de US$ 40 mil antes que qualquer tipo de perspectiva de alta possa ser confirmada", afirma.

 

Felipe Medeiros, analista de criptomoedas e sócio da Quantzed Criptos, aponta que esta situação do BTC, negociando lateralmente, não deve ser resolvida no curto prazo, mas destaca que uma queda abaixo de US$ 26 mil também é improvável.

"O sentimento do mercado tem oscilado rapidamente, visto que os níveis de 26 mil dólares mostraram um forte suporte de preço devido à demanda institucional nesse preço", destaca.

Já Bernardo Schucman, vice-presidente sênior da divisão de moedas digitais da mineradora americana CleanSpark, aponta que o hashrate do Bitcoin teve uma queda gigantesca em 02 de junho. Schucman aponta que o poder computacional da blockchain do Bitcoin estava em 275.01 EH/s e caiu para 173.48 EH/s em menos de 24h. Uma queda de 35%.

"Isso se deve principalmente à dificuldade que mineradores estão tendo para obter lucratividade em suas operações e estão desligando seus equipamentos. O resultado prático deste movimento é a diminuição da segurança da rede ,que devemos reforçar que continua sendo a maior força computacional do planeta em um único protocolo e então continua segura", disse.

Porém, segundo ele, na ótica comercial essa queda no hashrate demonstra que mineradores planejaram maus seus modelos financeiros e não conseguiram manter-se lucrativos no bear market.

"Para mineradores experientes que se anteciparam ao bear market e buscaram métricas mais agressivas o momento é bom uma vez que a dificuldade para mineração na rede Bitcoin vai seguir caindo ou estável a curto prazo", aponta.

 

4  criptomoedas subiram até 75%

No entanto, mesmo em um mercado de baixa é possível obter rendimentos expressivos como aponta Felipe Medeiros destacando que a Cardano subiu cerca de 25% nas últimas 24h, aproveitando a notícia de uma possível atualização.

Outra altcoin que tem demonstrado força, segundo o analista é o token defi dYdX pois mesmo com o mercado pessimista, a plataforma de negociação de derivativos tem arrecadado muita receita e isso tem chamado atenção de vários investidores, que consideram dYdX  um ativo barato, por negociar a múltiplos menores que sua receita anual.

Enquanto Felipe Medeiros destaca a alta da Cardano e o potencial da dYdX, Lucas Schoch, CEO e fundador da Bitfy, selecionou 4 criptomoedas que subiram nos últimos 7 dias, sendo que uma delas chegou a registrar alta de 75%.

Em primeiro lugar na lista de Schoch está a Waves, criptomoeda criada por um ucraniano, porém, com sede em Moscou, que nos últimos 7 dias subiu 75%, liderando a alta entre as principais criptomoedas do mercado.

Schoch também está otimista com a Helium, uma blockchain desenvolvida para melhorar os recursos de comunicação de dispositivos móveis focada em IoT, foi lançada ao mercado em julho de 2019, e permite que devices de baixa potência se comuniquem e enviem dados através de sua rede.

Os usuários da rede compram Hotspots — uma combinação de gateway sem fio e minerador — ou criam seus próprios, fornecendo cobertura de rede em um determinado raio territorial, além de extraírem o seu token nativo, o HNT.

"Nestes últimos sete dias o ativo vem valorizando cerca de 18,50%", disse.

Seguindo Felipe Medeiros, Schoch também destaca a alta da Cardano, que segundo ele pode voltar a ser negociada em US$ 1 em breve se manter a expectativa positiva.

Finalizando a lista está a Stellar, uma plataforma criada com foco em transações peer-to-peer, e foi lançada em 2015 com o objetivo de conectar os sistemas financeiros mundiais e garantir um protocolo para provedores de pagamento e instituições financeiras.

A plataforma foi projetada para movimentar recursos financeiros de forma rápida e confiável a um custo mínimo, conectando as pessoas com os bancos e os processadores de pagamento, permitindo que os usuários criem, enviem e negociem vários tipos de criptomoedas.

"Nesta última semana o ativo com foco em transações peer-to-peer vem valorizando aproximadamente em 6%, ficando a frente do Bitcoin", finaliza.

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