O presidente argentino Javier Milei está no centro de uma polêmica internacional após seu envolvimento na promoção da memecoin $LIBRA, que rapidamente perdeu valor e deixou milhares de investidores no prejuízo.
O escândalo gerou críticas intensas da oposição e levantou discussões sobre um possível impeachment. No entanto, as odds de apostas no Polymarket apontam que Milei provavelmente não perderá o cargo antes de julho de 2025.
A crise começou quando Milei compartilhou em suas redes sociais uma mensagem promovendo a criptomoeda $LIBRA, sugerindo que poderia ser uma ferramenta financeira para impulsionar a economia argentina. Em poucas horas, a moeda disparou em valor, mas a euforia não durou muito. O preço colapsou, investidores perderam milhões de dólares e acusações de fraude começaram a surgir.
No entanto, o principal acusador do presidente é Hayden Davis, criador da memecoin $LIBRA. Em entrevista ao influenciador Dave Portnoy, Davis afirmou que Milei estava ciente de todo o esquema e o deixou "segurando a bomba" após o colapso do ativo.
Segundo Davis, a equipe de Milei prometeu um segundo vídeo de apoio para impulsionar o projeto, mas nunca cumpriu o combinado.
“Fui instruído a não reinjetar dinheiro na criptomoeda até que ocorresse um novo empurrão de marketing”, explicou Davis.
No entanto, Milei apagou suas publicações de apoio e se distanciou completamente do projeto, deixando Davis sem direção e com um colapso inevitável da moeda.
Memecoin e crise na Argentina
As investigações revelaram que três grandes carteiras, incluindo uma que controlava entre US$ 55 e US$ 60 milhões, estavam prontas para despejar tokens no mercado assim que a moeda atingisse seu pico. Segundo Davis, mesmo que ele tivesse injetado liquidez, a moeda teria desmoronado de qualquer forma.
A oposição argentina, incluindo políticos ligados ao peronismo e ex-membros do governo de Alberto Fernández, aproveitou o escândalo para pedir investigações contra Milei, sugerindo que o presidente poderia ter violado leis anticorrupção ao promover um ativo financeiro sem regulamentação clara.
Diante do escândalo, o governo de Milei rapidamente se moveu para desvincular sua imagem da Libra. A assessoria presidencial emitiu um comunicado alegando que o presidente não tinha envolvimento direto com o projeto e que sua publicação nas redes sociais foi apenas um gesto de apoio ao livre mercado.
No entanto, nesta segunda, 17, o perfil do presidente no X, voltou a publicar sobre a memecoin, só que agora um post ensinando como as pessoas podiam fazer para comprar o token. Após a publicação o token subiu novamente 60% e a internet começou a chamar a postagem de 'golpe duplo'.
Além disso, Milei garantiu que o governo não interviria na investigação e que o caso seguiria para análise do sistema judiciário. No entanto, a oposição já pressiona por um inquérito parlamentar, buscando apurar se houve conflito de interesses ou qualquer tipo de benefício ilícito para membros do governo.
Não vai ter impeachment
Apesar das críticas e da pressão política, as apostas no Polymarket indicam que a chance de Milei sofrer impeachment antes de julho é de apenas 12%. Ou seja, o mercado de apostas acredita que, apesar do desgaste político, Milei permanecerá no cargo e conseguirá evitar sua destituição.
Especialistas políticos apontam que, mesmo com o escândalo, a oposição não possui força suficiente para viabilizar um impeachment neste momento. O Congresso argentino ainda está dividido e, para afastar Milei, seria necessário um grande acordo entre diferentes forças políticas, o que parece improvável no curto prazo.
Além disso, Milei mantém um forte apoio popular e de setores do mercado financeiro, que o veem como um líder disposto a promover reformas econômicas radicais na Argentina. Mesmo com o desgaste, muitos investidores ainda confiam em seu governo para estabilizar a economia do país.
Outro fator que favorece Milei é que escândalos envolvendo criptomoedas são difíceis de provar judicialmente. Como a $LIBRA não foi criada pelo governo e não possui laços oficiais com a presidência, advogados do presidente argumentam que ele não pode ser responsabilizado por perdas no mercado de criptoativos.