A Tether, empresa ligada a Bitfinex e que controla o desenvolvimento do USDT, principal stablecoin do mercado de criptomoedas criou mais de 1 Bilhão de seus tokens, supostamente lastreado em dólares, durante o mês de abril, período em que o Bitcoin recuperou o valor que havia perdido com o avanço da crise do coronavírus, registrando uma alta de 22% no mês.

Em 01 de abril o Bitcoin abriu o mês sendo negociado em torno de US$ 6869 porém embora tenha registrado seu maior valor no dia 30 de abril, último dia do mês, chegando a US$ 9318, fechou o dia sendo cotado a US$ 8751, uma alta de 22% no mês.

A criação de novos tokens USDT ocorreu durante todo o mês, mas uma das maiores 'impressões' de novos USDT ocorreu no dia 29 de abril, um dia antes do Bitcoin registrar sua maior alta no mês e voltar a ser cotado acima de US$ 9 mil.
No dia 29, a Tether, criou mais de 160 milhões de USDT. Os primeiros US $ 60 milhões foram cunhados quando o Bitcoin foi avaliado em pouco mais de US $ 8.000. Uma segunda transação de US$ 100 milhões em USDT foi emitida pouco antes de o BTC ultrapassar US$ 8.500. 

Ao mesmo tempo, houve um movimento significativo do USDT das baleias entre Binance e OKEx. Em pouco menos de 12 horas, 91 milhões de tokens foram transferidos de carteiras desconhecidas para as duas exchanges, com a maior parte - US$ 85 milhões em duas transações - destinada à Binance. 

O precursor do Tether, originalmente chamado "Realcoin", foi anunciado em julho de 2014 pelos co-fundadores Brock Pierce, Reeve Collins e Craig Sellars como uma startup sediada em Santa Monica. Os primeiros tokens foram emitidos em 6 de outubro de 2014, na blockchain Bitcoin, usando o Omni Layer Protocol. Em 20 de novembro de 2014, o CEO da Tether, Reeve Collins, anunciou que o projeto estava sendo renomeado para "Tether.

Desde então há especulações sobre a Tether e a Bitfinex e a possível manipulação delas no mercado de Bitcoin. Embora a Bitfinex sempre tenha negado sua vinculação com o USDT (a empresa foi a primeira a dar suporte ao token em janeiro de 2015), em 2017 foi revelado que desde 2014 as empresas estavam ligadas e possuíam o mesmo CEO e 'time' técnico.

Uma pesquisa realizada por John M. Griffin e Amin Shams em 2018 sugere que as negociações associadas ao Tether e a Bitfinex representam cerca de metade do aumento de preços no bitcoin no final de 2017, quando o BTC atingiu seu maior patamar de preço próximo a US$ 20 mil, desta forma, os pesquisadores sugeriam que houve manipulação do mercado por parte das empresas.

Em 2019, uma ação coletiva criada por Eric Young e Adam Kurtz , alega que a Tether, junto com a iFinex, (controladora da Bitfinex) haviam manipulado o preço do Bitcoin, contudo o processo foi arquivado.

Já  em abril de 2019, a procuradora-geral de Nova York Letitia James entrou com uma ação acusando a Bitfinex de usar as reservas da Tether para cobrir uma perda de US$ 850 milhões. A Bitfinex não conseguiu obter um relacionamento bancário normal, de acordo com o processo, portanto depositou mais de US $ 1 bilhão em um processador de pagamentos panamenho conhecido como Crypto Capital Corp.

Os fundos foram supostamente combinados com depósitos corporativos e de clientes e nenhum contrato foi assinado com a Crypto Capital. James alegou que em 2018 a Bitfinex e Tether sabiam ou suspeitavam que a Crypto Capital havia escapado com o dinheiro, mas que seus investidores nunca foram informados da perda.

Os operadores da Crypto Capital foram acusados de atuar em um grande esquema de lavagem de dinheiro para cartéis de drogas na Colômbia. O processo com a procuradoria de Nova York segue sendo analisado nos EUA.

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