Paolo Ardoino, CEO da emissora da stablecoin Tether, disse que a indústria acaba de entrar em uma nova era, marcada por um fluxo de soluções de stablecoins vindas tanto de empresas privadas quanto de governos.
Em uma sequência de postagens no X em 27 de março, Ardoino afirmou que o mercado cripto acabou de ingressar na era do "multiverso das stablecoins", em que múltiplas stablecoins estão sendo lançadas para atender à crescente demanda global.
Fonte: Paolo Adroino
Nem todos concordam com essa avaliação
No entanto, Slava Demchuk, CEO da empresa de conformidade em cripto AMLBot, disse ao Cointelegraph que discorda "da premissa de que existam centenas de stablecoins lançadas por empresas e governos".
Segundo ele, tais alegações são exageradas, destacando que "lançar uma stablecoin é um processo complexo e que exige muitos recursos", ainda mais complicado pela estrutura do Regulamento de Mercados em Criptoativos (MiCA) da União Europeia:
"O MiCA, por exemplo, impõe requisitos rigorosos — particularmente prudenciais, como reservas de capital, buffers de liquidez e estruturas robustas de governança — que nem todas as empresas conseguem cumprir facilmente."
Por outro lado, Demchuk observou que o crescimento no número de stablecoins apresenta desafios e riscos. Ele destacou que as diferenças regulatórias entre jurisdições são um problema, com o MiCA oferecendo clareza na UE, enquanto o mercado dos EUA ainda está em debate, resultando em uma "colcha de retalhos global de regras".
Ele alertou que essa inconsistência corre o risco de levar empresas para mercados menos regulados. A consequência desse êxodo seria o enfraquecimento dos esforços de proteção ao consumidor.
Ardoino prevê rápido crescimento
Em uma postagem posterior no X, Ardoino afirmou que a Tether atualmente possui 400 milhões de usuários em todo o mundo e espera que esse número chegue em breve a um bilhão. Ele atribui esse crescimento rápido a uma abordagem diferente dos participantes do mercado financeiro tradicional:
"Sempre focamos na adoção de baixo para cima, trabalhando nas ruas, entre as pessoas, enquanto o setor financeiro tradicional nos observava de suas torres de marfim."
Vasily Vidmanov, diretor operacional do protocolo de conformidade em finanças descentralizadas PureFi, disse ao Cointelegraph que a previsão de Ardoino "é interessante, mas não totalmente realista". Ele citou "a recente exclusão do USDT na UE", observando que isso "mostrou que resistir à regulação é inútil — adaptação e novas abordagens à descentralização são necessárias".
Os comentários fazem referência ao fato de que o USDt (USDT) da Tether foi retirado das plataformas Binance, Crypto.com, Kraken e Coinbase para usuários baseados no Espaço Econômico Europeu. Um porta-voz da Tether disse ao Cointelegraph que a empresa considerou as ações decepcionantes.
Vidmanov explicou que os dados sobre trocas entre USDT e o concorrente USDC (USDC) da Circle "indicam um aumento perceptível […] após a exclusão". Ele também manifestou preocupações quanto à reputação da empresa e às "investigações em andamento nos EUA relacionadas ao cumprimento de sanções e à prevenção de lavagem de dinheiro".
Número de swaps USDT/USDC. Fonte: Dune
Autoridades dos EUA estariam investigando o uso por terceiros das stablecoins da Tether para atividades criminosas.
Ardoino já havia comentado essas alegações quando surgiram no final de outubro de 2024, chamando a história de "barulho antigo". Ainda assim, segundo Vidmanov, considerando todos esses desafios, "atingir os números projetados nos próximos um ou dois anos parece improvável, a menos que ocorram mudanças significativas nas políticas globais e uma entrada substancial de novos usuários de mercados cripto ainda pouco explorados".
Tether e Paolo Ardoino não haviam respondido ao pedido de comentário do Cointelegraph até o momento da publicação.