Enquanto a comunidade de criptomoedas prende a respiração à espera da pontecial aprovação de um fundo negociado em bolsa (ETF) de Bitcoin (BTC) à vista nos Estados Unidos, o analista de Bitcoin da Trezor, Josef Tětek, argumentou que esses produtos poderiam afastar os usuários da autocustódia. Entretanto, muitos especialistas do setor não veem um confronto direto entre o investimento em um ETF de Bitcoin à vista e a autocustódia do ativo.
Um ETF de Bitcoin à vista é um produto de investimento que rastreia o preço do BTC mantendo Bitcoin sob custódia e permite que os investidores se exponham ao BTC por meio de uma conta de corretagem tradicional. Diferentemente de um ETF de Bitcoin – que oferece exposição indireta ao BTC – as soluções de autocustódia permitem que o próprio usuário detenha a propriedade do ativo. Nesse caso, os investidores assumem diretamente a responsabilidade de manter suas chaves privadas para acessar os ativos.
A Cointelegraph entrevistou vários executivos e analistas do setor para saber se eles concordam com Tětek sobre essa oposição. A maioria disse acreditar que esses diferentes métodos de exposição ao Bitcoin não competem entre si.
"Os ETFs são para fundos e investidores institucionais que não podem deter o ativo subjacente", disse Samson Mow, CEO da Jan3, ao Cointelegraph. No entanto, essa situação mudará com o tempo, e as instituições poderão transformar seus mandatos para poderem deter o Bitcoin subjacente às ações de seus fundos, sugeriu ele.
"Alguns investidores de varejo também podem comprar ETFs para se beneficiar das estruturas de eficiência fiscal, mas manter o Bitcoin real é o que a maioria das pessoas deve fazer", disse Mow, acrescentando:
"Os ETFs não competem realmente com o Bitcoin, eles são um substituto ruim para o ativo subjacente; no entanto, eles são úteis como uma solução de ponte à medida que as finanças legadas se adaptam à nova realidade do Bitcoin."
David Gerard, autor do livro e blog de criptomoedas "Attack of the 50 Foot Blockchain", expressou uma posição semelhante. A retenção de chaves é algo apropriado para "entusiastas sérios do Bitcoin", enquanto ETFs servem para traders que são reticentes quanto aos riscos de manter suas próprias chaves, disse ele.
"Não vejo como eles poderiam entrar em conflito", afirmou Gerard, acrescentando que os ETFs estão tratando o Bitcoin como um "derivado do dólar para obter mais dólares". Ele afirmou:
"Você poderia fazer as duas coisas - há entusiastas do Bitcoin no mundo financeiro. Não há problemas ou contradições, eu acho."
Leah Wald, co-fundadora e CEO da Valkyrie – uma das candidatas a lançar um ETF de Bitcoin nos Estados Unidos – manifestou uma opinião semelhante. "Não se trata de um conflito; é antes uma questão de preferência", afirmou ela, acrescentando:
"Alguns investidores preferem fazer a autocustódia de seu Bitcoin, enquanto outros investidores querem ter acesso ao potencial do Bitcoin por meio de um ETF que alivie os encargos que vêm com a autocustódia."
O analista de ETF da Bloomberg, Eric Balchunas, comparou o Bitcoin ao ouro em uma entrevista concedida ao Cointelegraph.
"Com o ouro é exatamente a mesma coisa. Algumas pessoas gostam de comprar barras de ouro e guardá-las no porão", disse Balchunas. O mercado de ETFs é para pessoas que querem exposição, mas não querem se preocupar com incômodos, seja administração de uma carteira de autocustódia ou a compra de barras de ouro, no caso do ouro. "Depois, é preciso comprar um cofre e colocar as barras no cofre. E a maioria das pessoas não está interessada nisso", observou ele.
Balchunas também disse que não faz a autocustódia do Bitcoin porque não confia em si mesmo para manter as chaves seguras ou pelo risco de esquecê-las. Ele afirmou:
"Não consigo me lembrar nem da minha senha da Amazon, por isso nunca faria a autocustódia de Bitcoin. E acho que a maioria das pessoas está no mesmo barco."
O analista da Trezor, Tětek, disse ao Cointelegraph em dezembro de 2023 que acredita que o lançamento de um ETF de Bitcoin à vista nos EUA se opõe à visão original do Bitcoin proposta por seu criador anônimo, Satoshi Nakamoto.
"Os ETFs de Bitcoin à vista afastam as pessoas da autocustódia e potencialmente introduzem um risco sistêmico, já que os ETFs serão mais seguros na superfície do que as exchanges", disse Tětek ao Cointelegraph na entrevista.
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