A queda da FTX foi um triste episódio para o mercado de criptomoedas. O resultado mais notável foi a queda no preço do Bitcoin (BTC) que, um mês após o colapso da exchange, só conseguiu ficar poucas horas acima dos US$ 18 mil. O setor de finanças descentralizadas (DeFi), contudo, foi beneficiado com a crise de confiança sobre plataformas centralizadas que tomou conta do mercado.
Em uma newsletter do coletivo Bankless, publicada na quarta-feira (14), Jack Inabinet lista cinco métricas de DeFi que cresceram desde o fim da segunda maior exchange do mundo.
Imagem: movimentação do Bitcoin entre 5 de novembro e 15 de dezembro/CoinGecko
Crescimento em autocustódia
A autocustódia foi a primeira métrica dentro de finanças descentralizadas que cresceu. As fabricantes de carteiras em hardware Trezor e Ledger relataram crescimentos expressivos em suas vendas. No Brasil, a revendedora KriptoBR teve seus estoques zerados.
Inabinet salienta que US$ 4,675 bilhões em stablecoins foram sacados entre 4 de novembro e o fim da primeira semana de dezembro. A queda no balanço de stablecoins mantidas em exchanges centralizadas foi de 11,4%. No ambiente de DeFi, os usuários fazem a custódia de seus fundos, permitindo o acesso às suas carteiras somente no momento de negociação de criptoativos.
Além disso, o fluxo de Ethereum (ETH) para fora de exchanges centralizadas dentro do mesmo período foi de US$ 5,125 bilhões. Trata-se de um declínio de 13,1% no total de ETH mantidas em plataformas centralizadas.
O texto ressalta ainda que, com os rumores de investigações envolvendo a Binance surgidos recentemente, a tendência de saques de exchanges centralizadas não deve ser revertida no curto prazo.
TVL de exchanges descentralizadas
A Delphi Digital publicou uma newsletter no início de dezembro, onde a empresa aponta que o volume negociado por exchanges descentralizadas (DEX) cresceu 110% em novembro.
A GMX foi uma das DEX que mais se beneficiou com a queda da FTX. Com oferta de alavancagem de até 30 vezes, o valor total alocado (TVL, na sigla em inglês) avançou 9,9% entre o dia 5 de novembro e o início de dezembro. O TVL nesta quinta-feira (15) é de US$ 856,37 milhões. Em ETH, o crescimento é ainda maior: 41%.
A queda nos preços dos criptoativos causa a diferença entre o aumento de TVL entre dólares e ETH. Por isso, verificar tal métrica através da segunda maior criptomoeda em valor de mercado é mais preciso. Como exemplo, Inabinet menciona o TVL da GMX entre 5 e 10 de novembro, que caiu 25,3% no somatório em dólares, mas cresceu 12,1% em ETH.
Imagem: TVL da GMX em ETH/DefiLlama
Crescimento da Arbitrum
A GMX foi criada sobre a Arbitrum, um optimistic rollup sobre a rede Ethereum. Considerando que a DEX representa metade do TVL da rede, a Arbitrum também vê resultados positivos.
De qualquer forma, por si só, a Arbitrum teve um bom desempenho. Mesmo após o colapso da FTX, a solução de Camada 2 do Ethereum conseguiu se recuperar e exibe um aumento de 7,6% em TVL comparado ao seu nível antes da queda da segunda maior exchange do mercado.
Esse feito se torna ainda mais notável quando a Arbitrum é comparada com outras soluções de Camada 2. Em média, o TVL dessas outras redes é 16,6% menor em comparação ao total do dia 5 de novembro, data pré-colapso da FTX.
Rendimentos alavancados
Em DeFi, é normal que surjam plataformas focadas em facilitar estratégias de ganhos para usuários. Geralmente, esses protocolos recebem depósitos e utilizam mecanismos de ganhos de diferentes aplicações descentralizadas para potencializar os rendimentos de investidores.
Jack Inabinet aponta que a popularidade dessas plataformas cresceu após o colapso da FTX. Como exemplo, ele menciona Sentiment e Gearbox. Em ambas as aplicações, é possível “alavancar” os ganhos ao escolher estratégias mais arriscadas. Avaliando o TVL como métrica de sucesso, Inabinet afirma que a Gearbox saltou de US$ 11,4 milhões no dia 23 de outubro para US$ 119,9 milhões no dia 5 de novembro. O crescimento foi de 952%.
Embora esse setor tenha sofrido uma queda de 20,3% em valor total alocado após o colapso da FTX, o capital foi rapidamente recuperado. No dia 14 de dezembro, a diferença era de apenas 1%.
Imagem: rendimentos da Gearbox/Gearbox
NFTs na Polygon
Ainda que não tenha relação com o colapso da FTX, Jack Inabinet achou válido comentar na newsletter o aumento nas atividades envolvendo NFTs na rede Polygon. O lançamento da versão de testes do Odyssey, programa de fidelidade do Starbucks baseado em tokens não-fungíveis, e o engajamento de usuários do Reddit com avatares da rede social estão entre os potencializadores do uso de NFTs na Polygon.
“Em uma indústria com número de usuários em declínio e queda nos níveis de atividade na rede, a expansão da Polygon no mercado de colecionáveis se provou surpreendentemente bem-sucedida”, avalia Inabinet em sua publicação para o Bankless.
O resultado foi 84 mil usuários comprando NFTs na Polygon dentro do OpenSea até 12 de dezembro, um aumento de 630% em relação ao dia 5 de novembro. Além disso, a média semanal de usuários do OpenSea cresceu 178% desde a semana do dia 7 de novembro. Quase 245 mil endereços da Polygon realizaram alguma ação envolvendo NFTs na semana do dia 5 de dezembro.
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