Feira de automóveis em São Paulo exibe polêmica criptomoeda da Lamborghini Latin America

O Salão Veículo Elétrico Latino-Americano 2019, que acontece nesta semana em São Paulo (SP), exibe em um de seus stands uma criptomoeda criada pela empresa Automobiles Lamborghini Latin America SA. O Cointelegraph teve acesso à informação atrés de uma foto divulgada pelo canal do Instagram Exclusivos no Brasil.

Apesar do nome, a Lamborghini Latin America não é diretamente ligada à gigante automotiva italiana e faz parte de um grande imbróglio jurídico. A criptomoeda é uma stablecoin apoiada em "ativos subjacentes, derivados de nossos novos produtos, bem como ações da empresa, que permite [sic] manter a estabilidade de seu valor", diz o site oficial da empresa.

Os tokens não fungíveis são baseados em um protocolo desenvolvido pela Metahashestão em pré-venda e devem financiar o desenvolvimento do automóvel elétrico Lamborghini LA Vision 2020 SuperCar e do Lamborghini 4x2 e 4x4 SUV, desenvolvidos pela Lamborghini Latin America.

A empresa foi fundada em 1994 pelo polêmico empresário mexicano Jorge Antonio Fernández García. Na época, a Lamborghini italiana, então pertencente ao grupo norte-americano Megatech, dono da Chrysler, fez um acordo com o empresário concedendo licença para operar e explorar a marca por 99 anos.

Em 1995, o empresário conseguiu patentes para representar a Lamborghini em diversos países latinoamericanos, entre eles o Brasil, passando a desenvolver veículos próprios. Foram pelo o menos três os veículos desenvolvidos pela empresa.

Em 1998, o grupo Volkswagen e sua subsidiária Audi adquiriram a Automobili Lamborghini S.P.A., matriz original da empresa, e desde então, segundo o empresário declarou ao jornal paraguaio La Nación em setembro de 2019, as empresas passaram a afirmar que não reconheciam o acordo e pediram pelo cancelamento das licenças da filial latinoamericana, em processo que se arrasta na Justiça do México.

A passagem de Jorge Carcía pelo Paraguai também foi cercada de polêmicas. O empresário chegou a visitar o presidente paraguaio, Mario Abdo Benítez, se apresentando como CEO da Lamborghini na América Latina, gerando uma crise política no país.