Nesta terça, 21 de janeiro, durante um evento em São Paulo, Sebastián Serrano, fundador da Ripio, declarou que o governo Trump promete um momento extremamente positivo para o Bitcoin e criptomoedas com ações na SEC, reservas de Bitcoin, o lançamento de sua memecoin e outras promessas feitas pelo presidente.
Sobre a memecoin de Trump, Serrano destacou que há muitas controvérsias e que Trump multiplicou sua fortuna com esse lançamento, gerando mais de US$ 20 bilhões em valor em apenas 2 dias, sendo que, durante toda a sua vida, o presidente acumulou pouco mais de US$ 2 bilhões em fortuna.
Ele também apontou que a memecoin de Trump pode acabar se tornando um 'balizador' do governo americano e, se ele estiver bem avaliado, o preço do token tende a subir e, caso o governo esteja indo ruim, o token tende a cair.
Sobre o preço do Bitcoin, Serrano apontou que não estamos em um super ciclo de alta que irá levar o BTC para US$ 1 milhão, mas sim em um ciclo normal do mercado, como visto em anos anteriores como 2017-18 e 2020-21.
"Ainda temos muito para crescer e acredito que esse crescimento vai ocorrer no primeiro semestre do ano, o BTC pode atingir US$ 200 mil, mas acredito que depois teremos uma correção e o iníco de um mercado de baixa", apontou.
Serrano fundamenta sua posição baseado no MVRV, (Market Value to Realized Value), um indicador utilizado no mercado de criptomoedas para avaliar se um ativo está supervalorizado ou subvalorizado em relação ao seu preço histórico.
Para o fundador da Ripio o MVRV está apontando para um momento de supervalorização, o que indica que haverá uma queda profunda no mercado, provavelmente iniciando um bear market. Outra métrica citada pelo executivo, o Bitcoin Cycle, que mede o período de altas e baixas do BTC durante os ciclos de halving.
"As métricas apontam para uma correção, que deve ocorrer ainda este ano, possivelmente no segundo semestre. Embora nestes períodos o preço caia, ele atua fazendo uma 'limpeza' no mercado e nele, as empresas sérias desenvolvem novas soluções que, por sua vez, impulsionam e criam a base para o próximo ciclo de alta", disse.
Embora não acredite que o preço do BTC vai chegar a US$ 1 milhão neste ciclo atual, Serrano aponta que o valor pode ser atingido nos próximos anos com a adoção e o crescimento do mercado.
Bear Market pela frente
Segundo Serrano, atualmente o mercado está extremamente alavancado, com figuras como Michael Saylor, da MicroStrategy, tomando dívida para comprar mais Bitcoin.
"Hoje, a empresa opera com um múltiplo de três vezes seu patrimônio final. Eles estão alavancados três vezes mais do que o respaldo que possuem. Ainda há pessoas apostando nesse movimento, mas também há investidores fazendo arbitragem dessa valorização. Esse tipo de estrutura de alavancagem sempre existiu e, historicamente, nunca termina bem. E acredito que o mesmo que ocorreu com a Genesis e FTX no ciclo anterior pode acontecer agora", disse.
Ele aponta que Saylor acabou se 'prendendo' em um ciclo que o impede de vender Bitcoin, pois a empresa criou uma narrativa tão forte e alavancada no potencial do ativo que qualquer venda pode impactar preço e criar uma espiral que afete profundamente a empresa.
O fundador da Ripio também destacou que apesar das entradas de investidores institucionais e ETFs, pode haver uma queda de liquidez do mercado. Entretanto, segundo ele, correções de 80% não devem ocorrer.
"Isso pode acontecer devido à postura mais restritiva dos bancos centrais, tornando o dinheiro mais caro. Essa combinação de fatores pode gerar uma correção significativa, mas talvez não tão severa quanto ciclos anteriores. Nas quedas passadas, vimos correções de 80%, mas, desta vez, a nova estrutura de demanda pode ser mais resiliente. Talvez a correção não seja tão profunda e fique em torno de 40%. Isso significa que o mercado pode não seguir o mesmo padrão de antes", disse.
Segundo ele, o investidor típico de Bitcoin já espera uma correção de 30%, aproveita a queda para entrar novamente e segue operando nesse ciclo.
"Talvez, para os Bitcoiners mais experientes, este mercado não seja tão previsível como antes, mas ainda pode oferecer boas oportunidades", disse.
Serrano também apontou que o maior caso de uso das criptomoedas atualmente são as stablecoins e que com a recusa dos EUA de desenvolver sua CBDC isso deve fortalecer ainda mais esse mercado que já está entre os 20 maiores detentores de títulos de tesouro dos EUA.
"O mercado de stablecoins pode facilmente chegar a US$ 1 trilhão nos próximos anos e em 10 anos pode chegar a US$ 10 trilhões com ainda espaço para crescer", aponta.