'Regulamentação das criptomoedas é mais para proteger o governo do que o cidadão', diz professor da USP

O professor Bruno Albertini, do Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais da Escola Politécnica da Universidade de São Paulo (Poli-USP), deu entrevista à Rádio USP nesta terça-feira, 22 de outubro, e defendeu que a regulação das criptomoedas serve mais como proteção para os governos do que para a proteção do cidadão.

Ele diz que o princípio descentralizado das criptomoedas torna impossível que uma autoridade central governamental tenha controle sobre uma moeda como o Bitcoin:

"O Banco Central não vai controlar o Bitcoin, a Casa da Moeda não vai controlar o BTC, nem governo nenhum do mundo. Não tem como regular a inflação de criptomoedas descentralizadas".

Sobre a proposta de regulamentação das criptomoedas sob análise do congresso, o professor diz que o caminho mais adequado não seria a regulamentação:

 "A regulamentação é mais para proteger o governo que o cidadão."

Apesar disso, ele diz que o governo brasileiro pode atuar para evitar a evasão fiscal no câmbio de criptoativos por moeda fiduciária, mas diz que o uso de criptomoedas em lavagem de dinheiro ainda é baixo em comparação com dinheiro, ouro e diamante.

Além disso, ele defende que a educação da população é mais importante que a regulamentação, citando os casos de pirâmide financeira que afetaram milhares de pessoas pelo Brasil recentemente:

"Regulamentar não é a maneira. A maneira correta é educar as pessoas para que elas entendam que a criptomoeda é um ativo virtual, que tem um valor financeiro, altamente instável e que não é um investimento."