A falta de uma regulamentação clara ainda é uma das barreiras para que investidores estrangeiros entrem no mercado de criptomoedas no Brasil, segundo entrevista de uma jurista à Reuters.

Segundo Thais Gobbi, sócia no escritório Machado Meyer, "há demanda principalmente para wallets e exchanges" no Brasil, completando dizendo que há "bastante procura" entre clientes locais e investidores internacionais, mas que o "arcabouço regulatório" ainda precisa de maior clareza.

Ela diz que o Banco Central acompanha o tema de perto, especialmente através das audiências comandadas pela Câmara dos Deputados para debater a regulação das moedas digitais:

"Ainda não sabemos quanto tempo dura essa discussão na Câmara, e os últimos comunicados do Banco Central sobre o tema sugerem que qualquer definição deve demorar ainda".

Ela diz que a adoção mais ampla das criptomoedas na economia real depende muito da regulamentação do setor. "O regulador permanece observando e só deve regular quando entender que existem reais riscos para o sistema financeiro", conclui.

Ela completa dizendo que parte do atraso na regulamentação se dá pelo estigma de que as criptomoedas são usadas para lavagem de dinheiro e da falta de conhecimento. Mas espera que isso mude:

"Nós veremos essas moedas sendo usadas como opção de investimento ou meio de pagamentos, mas apenas em alguns casos"