Caroline Hill, diretora de políticas globais e estratégia regulatória da emissora de stablecoins Circle, colocou parte da culpa do recente colapso de bancos vinculados a criptomoedas em instituições financeiras tradicionais, e não em empresas de ativos digitais.

Falando em 13 de março em um painel no festival South by Southwest (SXSW) em Austin, Texas, sobre a regulamentação de criptomoedas, Hill aludiu a algumas das preocupações em torno da perda da paridade do dólar do USD Coin (USDC), emitido pela Circle, em meio a relatos de que a empresa detinha mais de US$ 3 bilhões em reservas depositados no Silicon Valley Bank. O preço da stablecoin caiu cerca de 10% em 10 de março, antes de voltar a US$ 1 em 13 de março.

“O que aconteceu nos últimos dias foi uma situação irônica de cisne negro, em que o contágio não foi do [ecossistema de] criptomoedas para TradFi (finanças tradicionais) – o contágio foi de TradFi para as criptomoedas”, disse Hill. “É outra razão pela qual acho que a regulamentação é necessária para aproximar os emissores de stablecoins dos bancos centrais. Esse é o caminho certo a seguir, porque, em última análise, somos um modelo baseado em reservas integrais na proporção de 1:1 que depende de um setor bancário fracionário.”

Scott Bauguess, Caroline Hill e Peter Kerstens em um painel no SXSW em 13 de março sobre regulamentação de criptomoedas em Austin, Texas

Os congressistas dos EUA, incluindo os senadores Kirsten Gillibrand e Cynthia Lummis, propuseram um projeto de lei cripto em 2022 que colocaria as stablecoins sob supervisão do Escritório do Controlador da Moeda (OCC). Embora nunca tenha sido aprovado no Congresso, os senadores anunciaram algumas atualizações do projeto após os eventos catastróficos do mercado de criptomoedas em 2022, incluindo o colapso da Terra e da FTX.

Hill comentou sobre como os eventos recentes em torno do Silicon Valley Bank, do Silvergate Bank e do Signature Bank podem afetar a regulação daqui para frente:

“Vou sustentar que [a legislação do ponto de vista federal] continua a direcionar o foco sobre o tema, e acho que atrai ainda mais importância para a decisão de quem seria o regulador dos emissores de stablecoins, que acesso eles teriam a órgãos e agências que instituições financeiras têm – como por exemplo, o Banco Central dos EUA.”

Scott Bauguess, vice-presidente de política regulatória global da Coinbase, disse que a o marco proposto pelo Mercados de Criptoativos da União Europeia, ou MiCA, deu aos Estados Unidos uma “linha de base muito boa” para regulamentação, chamando-o de “abordagem muito sensata” para a indústria de criptomoedas após o colapso de uma grande exchange como a FTX. Embora o MiCA ainda aguarde a aprovação definitiva pelo parlamento da UE, muitos esperam que a lei entre em vigor a partir de 2024.

A senadora Lummis participaria do painel sobre regulamentação de criptomoedas no SXSW. O Cointelegraph procurou sua equipe, mas não recebeu uma resposta até o momento da publicação deste artigo.

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