O ano de 2020 foi um ano de turbulência econômica histórica. Choques no mercado afetaram o comércio, a inflação, o emprego e os orçamentos nacionais - desencadeando uma recessão global sem precedentes, à qual mesmo economias estáveis não estão imunes.

Assim como a falta de uma estratégia global organizada de contenção de vírus prolongou os impactos da pandemia de COVID-19 na saúde pública, a estratégia e a capacidade de política monetária descoordenada contribuíram para a instabilidade das moedas em todo o mundo.

Os países economicamente vulneráveis, muitos dos quais enfrentavam estresse cambial antes de 2020, estão entre os mais afetados. Entre eles estão: Brasil, Venezuela, África do Sul, alguns outros países africanos, Turquia e até os EUA, que emitiram e ainda estão emitindo uma quantidade colossal de papel moeda para dar liquidez ao seu mercado interno.

Os piores desempenhos este ano foram o venezuelano Bolívar Soberano e o dólar zimbabuano (também chamado de Zimdollar), e ambos os países viram uma desvalorização acumulada no ano de mais de 70% em relação ao dólar. De acordo com a FXSSI.

Na maioria dos casos, a moeda de um estado se desvaloriza devido à desaceleração econômica dentro de um país. Isso causa um déficit no balanço de pagamentos e o aumento da taxa de inflação.

Isso pode ser uma consequência de diferentes desacelerações econômicas, como ações de guerra, queda do PIB, queda dos preços das commodities que constituem uma grande parte das exportações, queda do poder de compra, aperto nas condições de crédito, instabilidade política dentro de um país, etc.

A desvalorização da moeda está frequentemente associada a uma política monetária mal organizada e relacionada a decisões de controles fiscais.

Fonte: Airshare

Real brasileiro

O real está entre as moedas mais desvalorizadas em 2020, tendo caído quase 30% no acumulado do ano. O Brasil depende muito de investimento estrangeiro e, em 2020, muitos investidores migraram para mercados menos arriscados, ou mais rentáveis, como o Bitcoin. Os gastos internos têm sido altos no Brasil, o que ajudou a sustentar alguns aspectos da economia, mas alimentou a preocupação de que o governo pudesse ultrapassar seu teto de gastos, o que vem sendo evidenciado pela escalada de preços dos alimentos.

O governo divulgou planos para criar um sistema adicional de previdência social, mas o plano em si contém um teto de gastos que seria ultrapassado nos termos atuais. Ao mesmo tempo, o Ministério da Economia tem sido inflexível quanto à manutenção do auxílio emergencial em relação ao cumprimento das regras fiscais.

O potencial para uma crise orçamentária e a profunda divisão nas declarações públicas de diferentes setores do governo e do banco central assustaram os investidores. Isso causou depreciação, apesar de alguns ganhos temporários ao longo do mês de janeiro em resposta a notícias econômicas positivas, incluindo a confiança em uma recuperação do setor industrial do Brasil e o anúncio de um acordo comercial bilateral com os Estados Unidos que ainda não se concretizou.

A balança comercial tem sido sustentada pelo agronegócio, que é o setor que mais cresceu em 2020. Ainda assim, sua relação direta com o real, mostra que as commodities não conseguirão sozinhas manter a balança comercial no positivo.

fonte: BofA

No gráfico acima vê-se a correlação do câmbio BRL/USD que segue em queda, enquanto os contratos futuros do agronegócio segue puxando a balança comercial, segundo informes do Bank Of America (BofA)

Com o PIB em queda, tendo registrado uma queda de 4,8%, apenas a agropecuária cresceu; indústria recuou 3,5% e serviços, 4,5%, segundo o IBGE. O ritmo de recuperação desacelerou no 4º trimestre e a economia encerrou o ano no mesmo patamar do início de 2019. Se ainda houvesse necessidade de lastro para dar valor ao papel moeda, o real estaria sendo lastreado unicamente pelas commodities agrícolas.

O Bitcoin como moeda de proteção

Diante de um cenário tão adverso para a economia e para moeda corrente, seja aqui no Brasil, seja fora em países tão ou mais frágeis, o Bitcoin é a melhor opção para criar proteção monetária contra a inflação e a desvalorização monetária.

Somente no ano passado, em relação ao real, o Bitcoin teve uma valorização de mais de 400% saindo da faixa dos R$ 29 mil em janeiro de 2020 para mais de R$ 150 mil em dezembro, chegando a R$ 230 mil em janeiro deste ano e enquanto o real desvalorizou-se frente ao dólar de 30% em média. A expectativa da inflação para o ano de 2021 é de 5 a 6%, o que provocará mais desvalorização da moeda. Qual o caminho portanto a seguir para se proteger: o Bitcoin.

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