Embora o Pix não seja uma moeda digital, mas um sistema de pagamentos instantâneos, ele vem avançando muito mais que as propostas de criação de CBDCs de varejo e, inclusive, assim como as stablecoins, rompeu recentemente barreiras continentais, chegando até a Europa.
Segundo um anúncio da fintech PagBrasil, a empresa anunciou uma parceria com a Wipay e a Paybyrd, ambas focadas no mercado de pagamentos digitais no continente europeu, para levar até os brasileiros que vivem ou viajam para os países da comunidade europeia a possibilidade de pagar por produtos e serviços usando o Pix.
No entanto, os brasileiros que estiverem em Paris, para acompanhar os jogos olímpicos, ainda não poderão usar o serviço que está em fase de testes com pontos de venda na Espanha, Portugal e Holanda.
A PagBrasil afirmou ainda que diversos serviços já estão em fase de integração na rede, como lojas de departamento, postos de gasolina, máquinas de vendas e hotéis
"Nossa visão é que os brasileiros viajem para o exterior sem precisar de dinheiro ou cartão de crédito, realizando todos os pagamentos por meio do Pix. Ainda há muito a ser feito, mas estamos trabalhando ativamente para esse objetivo", destacou o CEO da PagBrasil, Ralf Germer.
1 a cada 3 brasileiros abriram sua primeira conta para fazer e receber Pix
O Pix ajudou a democratizar o acesso das pessoas ao sistema financeiro no Brasil. Uma recente pesquisa do Mercado Pago, intitulada “Da cédula ao Drex: a evolução do uso do dinheiro em 30 anos”, realizada pelo IBPAD (Instituto Brasileiro de Pesquisa e Análise de Dados) revelou que 1 a cada 3 brasileiros abriram sua primeira conta para fazer e receber Pix
Além disso, segundo o levantamento, 66% dos brasileiros se consideram total ou parcialmente incluídos financeiramente. Como impacto do aumento da inclusão de serviços financeiros, a pesquisa identificou que, dos entrevistados, 78% já possuem conta em alguma instituição financeira. O estudo ainda revela um dos principais vetores que motivaram a porta de entrada para a inclusão financeira: a abertura de conta.
“O brasileiro sente que tem cada vez mais acesso a serviços e produtos financeiros. Importante dizer que hoje também há uma grande oportunidade para ampliar o uso dessas soluções em prol do desenvolvimento econômico da população”, analisa Ignácio Estivariz, vice-presidente de banco digital do Mercado Pago no Brasil. “O Plano Real foi um importante vetor de alavancagem da jornada financeira dos brasileiros, uma vez que 77% - que opinam sobre a moeda - acreditam ter obtido mais acesso a produtos financeiros nesse período”, complementa o executivo.
Os brasileiros que afirmam se sentirem excluídos financeiramente (34%), dizem que o principal motivo para a percepção de exclusão financeira está ligado ao acesso ao crédito. A conclusão se dá, uma vez que, quando perguntados porque se sentem pouco ou nada incluídos financeiramente, as três respostas mais apontadas são relacionadas a acesso à crédito, consolidando 73% das respostas.
Quando o assunto é investimento, 58% dos brasileiros entendem que suas aplicações em bancos digitais rendem mais do que nos bancos tradicionais e 62% acreditam que investimentos em bancos digitais podem ser resgatados com mais rapidez.
A pesquisa também mostra que a poupança é a aplicação mais conhecida pelos entrevistados (90%) e também a modalidade de investimento mais usada (45%) sendo a única com penetração acima de 30% em todas as classes sociais.
Dos 63% que não investem, 54% afirmam não aplicar por falta de dinheiro. Entretanto, 78% indicam ter algum recurso sobrando todos os meses. Ou seja, grande parte não visualiza a possibilidade de investimento de valores baixos e durante um período curto de tempo. O Estudo mostra que 15% não sabem por onde começar e 12% acham complicado / difícil.
O sonho da casa própria, listada como primeiro entre os motivos para investir, é apontado por 25% dos brasileiros. Já 22% começam a investir sem ter um plano específico.
A pesquisa também analisou a relação dos brasileiros com os bancos digitais e buscou mapear quais as principais razões para abertura de contas em fintechs e neobanks: para 34%, o motivo principal é ter conveniência de resolver tudo online sem precisar ir a uma agência física, 31% afirmam que o principal motivo para recorrer aos bancos digitais foi a burocracia reduzida para acessar serviços bancários, como transações via Pix, e 28% responderam que o fator principal é a ausência de taxas.
A pesquisa revela ainda que, para 50% dos brasileiros, o papel moeda vai acabar em dez anos. Já 36,5% veem a criação de uma moeda digital única como benéfica para o país.