A notícia de que a Arábia Saudita anunciou descontos de 20% no preço do petróleo para abril e planeja aumentar a produção para acima de 10 milhões de barris diários, motivou debates sobre um possível cenário de excesso de energia no mundo e causou um pânico no mercado de capitais fazendo o preço do petróleo desabar mais de 20% em todo o mundo chegando a 30% na Ásia. O Brent para entrega em abril recua 22% para US$ 35,65 o barril, enquanto o WTI de mesmo prazo afunda 23,%, a US$ 31,95 o barril.
A decisão da Arábia Saudita teria sido uma resposta a Rússia na medida em que os países estariam em uma guerra de preços em relação a commodity levando o preço do ativo aos níveis mais baixos desde 2016 e levantou novas preocupações sobre os riscos associados a empresas de energia fortemente endividadas no mercado de crédito de alto rendimento.
O fato também pode ter impactado o preço do Bitcoin, embora não seja possível dizer com clareza as causas para ascensão e queda no preço do BTC, o anúncio da Arábia Saudita (feito no domingo, 08) coincidiu com um movimento de queda na principal criptomoeda do mercado que foi perdendo valor logo após o país árabe fazer seu pronunciamento. A queda no BTC chegou a mais de 10% fazendo a criptomoeda recuar abaixo de US$ 8 mil, seu pior desempenho no ano.
No entanto, segundo o usuário, Ergo, que acompanha de perto as atividades da PlusToken, piramide financeira da China que teria arrecadado mais de 200 mil Bitcoins, a queda teria sido causada por uma venda massiva de 13 mil BTCs realizada pelos operadores do esquema que continuam soltos e teriam sido negociados em exchanges, ou seja, no mercado de varejo.
Se a queda foi causada pelo PlusToken ou não também não é possível determinar com clareza, contudo o Bitcoin passará por um grande teste de resistência em seu valor após a decisão da Arábia Saudita tendo em vista que o mercado de capitais, assim como o mundo todo, já vinha vivendo momento de tensão com a propagação do Coronavírus e seus impactos na economia.
Agora, depois de duas semanas de turbulência nos mercados de ações e de crédito, os investidores estão cada vez mais preocupados com a paralisação do crescimento econômico, à medida que as autoridades de saúde pública intensificam os esforços para conter o coronavírus, levando a uma queda nas atividades comerciais e a uma restrição no comércio global e as tensões recentes na demanda global do petróleo.
Os impactos deste pânico já começam a ser sentidos no câmbio provocando uma fuga de moedas ligadas a commodities. O rublo russo perde 8,6%, enquanto a coroa norueguesa cai 3,0%. O dia tende a ser extremamente negativo para os emergentes e, apesar dos anúncios do Banco Central do Brasil de vender cerca de US$ 1 bilhão de dólares, a tendência é que o real continue em movimento de desvalorização frente a moeda americana.
Além disso, os reflexos do tombo do petróleo no Brasil devem atingir, principalmente, os papéis da Petrobras, cujo ADR sofre uma queda de 17,21% nos negócios do pré-mercado em Nova York. Já o principal fundo de índice (ETF) de ações brasileiras em solo americano, o EWZ, cedia 9,63%, a US$ 31,72.
No entanto, uma alta no dólar pode 'segurar' uma queda no preço do Bitcoin no Brasil já que, embora o criptoativo tenha perdido 10% de valor e, no momento da escrita, cotado a US$ 7824, no Brasil o criptoativo está sendo cotado a US$ 37.597, porém quando o mercado de capitais iniciar suas negociações e o dólar acompanhar a tendência mundial e subir frente ao real, mesmo em queda global o preço do Bitcoin deve subir no Brasil.