Petro, a primeira criptomoeda do mundo criada por um governo, está perto de ir à falência e ser descontinuada pelo Governo da Venezuela, segundo revelou a Bloomberg Línea ao receber informações de fontes ligadas a Superintendência de Criptoactivos (Sunacrip).
Entre os fatores ligados ao encerramento da criptomoeda, estão acordos internacionais, como parte da negociação e aos esforços que o governo Joe Biden mantém para que a crise sociopolítica seja superada na Venezuela.
No entanto, o maior fator levado em conta pelo Governo para o encerramento do projeto é o escândalo de corrupção envolvendo Joselit Ramírez, o superintendente de criptoativos na Venezuela, que foi preso em 17 de março em um procedimento policial relacionado a alegações de corrupção.
A operação, visando supostos casos de peculato e irregularidades em processos envolvendo o Supremo Tribunal de Justiça, a Petróleos de Venezuela (PDVSA) e alguns municípios, foi confirmada em 20 de março.
Ramírez liderou a Sunacrip desde 2018, com foco na promoção do uso da criptomoeda Petro (PTR) e no estabelecimento de regulamentos para pagamentos com criptomoedas na Venezuela.
Cerca de 15 dias após a prisão de Ramírez, o Procurador-Geral da Venezuela, Tarek William Saab, confirmou em uma coletiva de imprensa que o ex-superintendente de criptoativos, foi preso devido ao seu envolvimento em uma rede de corrupção.
A rede envolveu a realização de operações paralelas não regulamentadas, usando a PDVSA e a Sunacrip. Saab alegou que o produto da venda de petróleo bruto era usado para negociação de criptomoedas, inclusive o Petro, e um conjunto de empresas comerciais foi usado para legitimar o capital adquirido.
No total, 21 pessoas foram detidas e serão acusadas de corrupção, apropriação indevida de bens públicos, lavagem de dinheiro e traição.
Além disso, a trama de corrupção provocou a renúncia de Tareck El Aissami, vice-presidente do setor de economia e ministro do Petróleo, que acompanhou Maduro no lançamento do Petro com o então ministro de Educação Universitária, Ciência e Tecnologia, Hugbel Roa, que também foi preso pelo mesmo caso de corrupção.
Fim do Petro
Os problemas com a Sunacrip paralisaram a indústria de Bitcoin na Venezuela, prejudicando exchanges, mineradores e centenas de provedores de serviço e infraestrutura para operações com criptomoedas.
No caso do Petro, seu 'enterro' ainda não foi anunciado, pois o governo estaria promovendo a liquidação das dívidas contraídas com grandes detentores de Petro no país, incluindo lojas de departamento que decidiram aceitar a criptomoeda do governo como forma de pagamento e, portanto, forneceram suporte ao criptoativo e aos planos do Governo.
No entanto, antes mesmo de sua morte, o Petro já apresenta sinais problemáticos como relatos de paralisação, carteiras e saldos bloqueados. Além disso, o preço do Petro no mercado já havia caído para menos de US$ 40 enquanto o Governo define o preço do Petro como R$ 60.
A criptomoeda lançada por Maduro, aproveitando o boom do mercado cripto em 207-18, sempre foi cercada de ceticismo e falta de transparência. Antes mesmo de ser lançada em 2018, já havia relatos de corrupção e envolvimento no governo Russo no desenvolvimento do ativo.
Maduro declarou sua intenção de criar o Petro no início de dezembro de 2017 e, em 6 de janeiro de 2018, ordenou a emissão dos primeiros 100 milhões de Petros , cada um lastreado em um barril de petróleo. No entanto, em 9 de janeiro, o parlamento venezuelano declarou o Petro uma moeda ilegal .
Desde seu lançamento Maduro tentou emplacar o Petro em inúmeras vezes e chegou até mesmo a pedir que a OPEP adotasse o criptoativo como seu 'token nativo'. No entanto, nenhum de seus pedidos foi atendido.
Desde então, com falta de apoio internacional para sua moeda, o Governo da Venezuela começou a 'forçar' a população a usar o criptoativo, que passou a ser aceito em vários serviços públicos e usado com pagamento em benefícios Federais como aposentadoria. Porém, os problemas de aceitação, a desconfiança da população com o projeto fizeram do Petro um ativo com pouca adoção.
Maduro ainda tentou emplacar o Petro outras vezes anunciado a possibilidade de trocar Petro por moeda fiduciária e ordenou a ampliação de seu uso e aceitação no país. Porém, como mostraram diversas reportagens do Cointelegraph, o discurso de Maduro sobre o Petro era um, mas no cotidiano o criptoativo era um fantasma do qual a população ouvia falar, mas não usava e nem sabia como usar.
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