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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Otto Lobo, novo presidente da CVM indicado por Lula, deve acelerar tokenização

Presidente interino, Otto Lobo liderou avanços em tokenização e agora aguarda aval do Senado para assumir a CVM em definitivo.

Otto Lobo, novo presidente da CVM indicado por Lula, deve acelerar tokenização
Brasil

Resumo da notícia

  • Lula indica Otto Lobo ao Senado para comandar a CVM após período como interino.

  • Tokenização vira prioridade, com avanço regulatório sobre ativos digitais e RWA.

  • Consulta pública da CVM propõe modernizar crowdfunding e ampliar captação via blockchain.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta quarta, 07, que encaminhou ‌ao Senado a indicação de Otto ‌Lobo como novo presidente da Comissão de Valores Mobiliários (CVM). Lobo já exerce a função, sendo o atual presidente interino da autarquia

"Encaminhamento ao Senado Federal, para apreciação, do nome ‌do senhor Otto ‌Eduardo Fonseca de Albuquerque Lobo, para exercer o cargo de presidente da Comissão de Valores Mobiliários - CVM, na vaga decorrente da renúncia de João Pedro Barroso do Nascimento", afirma despacho da Presidência da República no diário.

Lobo deve acelerar ainda mais a pauta de tokenização na CVM, que atualmente é um dos reguladores mais avançados no mundo no tema de tokens RWA no mercado de capitais. Como interino Lobo lançou uma consulta pública para substituir integralmente a Resolução CVM nº 88, que trata do regime de crowdfunding de investimentos, com o objetivo de adaptar essa norma ao crescimento das operações de tokenização de ativos digitais e ao uso de blockchain no mercado de capitais brasileiro.

A proposta inclui ampliar os limites de captação para diferentes tipos de emissores e integrar novos participantes ao ecossistema regulado, destacando a intenção de modernizar as regras e tornar o ambiente mais abrangente e claro para o mercado.

No lançamento, Lobo destacou que as mudanças fazem parte de um compromisso de estimular o desenvolvimento do mercado de capitais em sintonia com sua missão institucional, preservando a proteção ao investidor enquanto se promove inovação.

Ele afirmou que a experiência com o regime de crowdfunding desde 2017 permite expandi-lo com segurança, ajustando-o às exigências e potencial da tokenização de valores mobiliários. Entre os principais pontos da proposta estão a maior clareza regulatória para ofertas feitas em blockchain, novos tetos de captação, inclusão de diversas categorias de emissores, como cooperativas agropecuárias e securitizadoras, e a possibilidade de integração entre plataformas eletrônicas e o sistema tradicional de distribuição de valores mobiliários.

Tokenização na CVM

A agenda regulatória que Lobo tem promovido também insere o tema da tokenização como prioridade normativa para 2026, indicando que a CVM continuará trabalhando na atualização e no aprimoramento das normas que envolvem esse tipo de ativo.

A tokenização aparece ali relacionada não apenas à revisão do crowdfunding, mas também à evolução de mercados menores e outros segmentos que podem se beneficiar de tecnologias distribuídas, reforçando o compromisso do órgão em acompanhar as tendências do mercado global e adaptar o marco regulatório brasileiro.

Além disso, em diferentes ocasiões, Lobo afirmou que a autarquia busca modernizar o arcabouço regulatório com base em diálogo com o mercado e que a CVM trabalha em conjunto com outras autoridades nacionais e internacionais para tratar de desafios e oportunidades tecnológicas, incluindo a tokenização.