Grandes empresas do mercado brasileiro - Natura, Henkel, Basf e Braskem, para citar algumas - estão criando uma moeda digital para recompensar materiais de reciclagem, segundo matéria da Exame.
As empresas formam a Fundação Espaço Eco, que vai coordenar o uso de blockchain para certificar as cadeias de fornecimento de materias de reciclagem. A fundação formada pelo consórcio de empresas tem como parceiro o Instituto Recicleiros, uma ONG responsável por ajudar prefeituras na coleta seletiva.
A maioria das empresas consorciadas é da indústria química, mas também há a Natura, especializada em cosméticos; a Bomix, de embalagens; a Triciclos, do setor de resíduos; e a Wise, de pagamentos eletrônicos.
Agora, a fundação planeja o lançamento da reciChain, uma criptomoeda emitida na blockchain para certificar e recompensar os usuários pela produção de material reciclável.
Segundo o gerente de operações da Espaço Eco, Rafael Viñas, a iniciativa surgiu através da Basf, mas a empresa entendeu que "era necessário criar um consórcio de empresas".
Usando blockchain, o consórcio vai emitir tokens para atestar a veracidade das informações, a qualidade e condições de origem dos materias reciclados e garantir que embalagens e outros produtos recicláveis não sejam enviados a aterros ou lixões.
As empresas participantes precisam, portanto, ou terão obrigação legal de passar pela logística reversa ou assumir o compromisso público de reduzir o descarte, como faz a Natura.
Os tokens também vão remunerar toda a cadeia de reciclagem, esclarece Viñas:
“O que nós estamos fazendo é estruturar a cadeia do pós-consumo. Vai funcionar como um negócio de impacto. Resolve um problema, mas também gera negócios. O token, ou essa moeda virtual, poderá circular entre os investidores.”
A ponta mais frágil da cadeia, formada por quem recolhe o material nas ruas das cidades - chamados no texto de "catadores" ou "carroceiros" - também ganhará uma organização formal, que permitirá que as empresas se conectem aos profissionais que recolhem resíduos informalmente e certifiquem estes trabalhadores pelo serviço.
Os testes com usuários da plataforma devem começar ainda em março, e até o meio do ano o objetivo é lançar o MVP da plataforma, abrindo o mercado na segunda metade de 2021.
Como noticiou o Cointelegraph Brasil, outras empresas já usam a tecnologia blockchain para a cadeia de reciclagem no Brasil, como Unilever, Ambev e AkzoNobel.
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