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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Mais de 800 mil veículos foram vendidos digitalmente no Brasil, abrindo caminho para boom de tokens RWA dentro do Drex

A “Venda Digital", funcionalidade que permite a compra e venda de veículos a partir da Carteira Digital de Trânsito (CDT), superou a marca de mais de 800 mil operações finalizadas

Mais de 800 mil veículos foram vendidos digitalmente no Brasil, abrindo caminho para boom de tokens RWA dentro do Drex
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A “Venda Digital", funcionalidade que permite a compra e venda de veículos a partir da Carteira Digital de Trânsito (CDT), superou a marca de mais de 800 mil operações finalizadas entre proprietários de veículos de diversos estados do país.

O sistema de venda digital dispensa o reconhecimento de firma no cartório, já que a própria CDT realiza, por biometria, a validação das identidades do comprador e do vendedor. No entanto, como a legislação de trânsito exige o procedimento de vistoria para a transferência da propriedade, continua sendo necessário o comparecimento ao Detran.

A ferramenta é considerada por muitos especialistas como fundamental para o avanço de tokens RWA, que são parte do processo de tokenização que o Banco Central pretende habilitar dentro do Drex, a nova moeda digital do Brasil.

Inclusive a tokenização de veículos, por meio do Drex, para facilitar as operações comerciais é um dos exemplos que diretores do Banco Central constantemente apontam em palestras e declarações sobre como a nova moeda digital do Brasil pode trazer novas oportunidades de negócios e facilitar a vida da população.

Nesse sentido, o Governo do Estado do Tocantins já está estudando o uso da blockchain para o registro de contratos de empréstimos tendo veículos como garantia. Segundo o Detran do estado, a implementação de contratos inteligentes com blockchain, possibilitam diretrizes claras em relação à integridade e à segurança de dados, ressaltado pela hipertransparência, auditabilidade, imutabilidade, integridade e irrefutabilidade das transações, e atende as orientações recomendadas pelo Tribunal de Contas da União (TCU).

Quem também já está de olho na integração entre o sistema de venda digital e o Drex, é o banco BV que anunciou uma parceria com a Cconsensus e Parfin para a digitalização de documentos, usando o Hyperledger Fabric

A primeira fase dos testes do BV envolveu uma operação do tipo C2C (de cliente para cliente), na qual duas pessoas físicas negociaram a compra e venda de um veículo, realizando uma troca instantânea conhecida como DvP (entrega versus pagamento).

"A ideia é que o banco conduza toda a operação de financiamento, desde a simulação até a quitação do gravame e a conclusão da alienação do veículo após o pagamento das prestações pelo comprador, o que proporcionará maior agilidade e eficiência na operação", destacou Carlos Bonetti, diretor-executivo de riscos e operações do banco BV.

Drex e tokenização de veículos

Quem também está de olho neste setor é o banco Santander. No ano passado, a instituição anunciou uma prova de conceito com a criação de um marketplace para veículos e imóveis com o Drex.

Na solução apresentada pelo Santander, o banco teria um marketplace para imóveis e veículos dentro do app do Banco. Neste sistema, ao criar o anúncio e informar os detalhes do veículo, o sistema de smart contracts do Santander faria consultas automáticas aos diferentes reguladores do mercado, como Detran, para confirmar a autenticidade das informações e a posse do bem.

Feito isto, o sistema, converteria automaticamente o bem em um token que passaria a ser comercializado no marketplace. Tal qual ocorre em sistemas descentralizados como o OpenSea, por exemplo, ao optar pela compra do token o comprador teria seu dinheiro bloqueado no contrato inteligente e depois do bem recebido o contrato libera automaticamente o valor para o vendedor.

Casos de uso com tokenização no setor de veículos podem inclusive ser apresentados para o Banco Central na segunda fase oficial de testes do Drex. O BC pede apenas que os participantes que apresentem projetos do tipo "tragam consigo o regulador", conforme destacou recentemente Fábio Araujo, coordenador do Drex.

Araujo ressaltou que todos os novos casos de uso que serão apresentados só serão 'aprovados', desde que o regulador deste setor também participe do Drex e dos testes.

"Não podemos colocar o ativo na rede sem o regulador conjunto na rede. Então eu não posso colocar um valor mobiliário sem a CVM. A dica que dou é se os participantes do Drex querem propor um caso de uso eles tem que ver primeiro se o regulador daquele setor topa integrar o consórcio e a rede do BC para testar a solução no Drex", afirmou.

Venda digital de veículos

Enquanto o Drex não chega para tokenizar a venda de veículos, o Denatran segue avançando com a venda digital por meio do aplicativo da Carteira Digital de Trânsito. A funcionalidade realiza a validação biométrica facial do comprador e do vendedor, verifica a situação do veículo envolvido na operação, permite a assinatura digital do documento eletrônico ATPVe e, por fim, faz a comunicação de venda, de forma automática, ao término do procedimento.

Assim, pelo ambiente da CDT, o proprietário do veículo faz comunicação da intenção de venda ao futuro comprador. Para isso, basta acessar a aba “Veículos”, clicar no botão “Iniciar Venda Digital” e preencher o CPF do destinatário. A partir daí, o Detran de registro do veículo toma conhecimento da ação e permite a geração da ATPV-e (Autorização para Transferência da Propriedade do Veículo), que aparece na CDT e é assinada eletronicamente por ambas as partes.

A transação exige a autenticação com conta prata ou ouro na plataforma gov.br, além de checagem por biometria facial para a assinatura digital. O proprietário só precisa ir ao Detran, no final do processo, para fazer a vistoria e realizar a transferência do veículo.

Além de ser necessária a adesão do Detran do estado do veículo, a tecnologia está disponível apenas para documentos emitidos, por qualquer motivo, a partir de 4 de janeiro de 2021. Nesta data, o antigo Documento Único de Transferência (DUT) foi substituído por sua versão digital, o chamado ATPV-e.

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