A Microsoft, integrante do consórcio da Associação Brasileira de Bancos (ABBC), realizou mais de 120 testes de transações com o Drex utilizando uma solução de privacidade desenvolvida pela empresa.

Euricion Murari Soares de Pinho, diretor de inovação e serviços da ABBC, destacou ao Valor que os testes feitos vão de criação de carteiras digitais de criptoativos e simulação de contas de clientes a transferência de ativos, entre outros.

Atualmente, o BC pede que os consórcios utilizem três ferramentas de privacidade diferentes em seus testes: Zether, Starlight e Parchain. Porém, no caso da ABBC, o consórcio testa uma quarta possibilidade, desenvolvida pela Microsoft.

“Como a Microsoft faz parte do nosso consórcio e está desenvolvendo um trabalho de computação confidencial, nosso nó já nasceu com confidencialidade. Já construímos todo o nosso nó dentro dessa infraestrutura”, diz Euricion.

Segundo o executivo, os testes realizados até agora com o Drex mostram um sucesso consistente da plataforma, indicando que não haverá obstáculos significativos para seu lançamento ao público no próximo ano.

“A ideia é que comecemos a olhar 2024 com um sucesso do piloto, apesar dos desafios a serem enfrentados. Vamos começar a simular casos de uso entre os participantes para complementar o que já foi feito”, conta.

Euricion acredita que o Drex tem o potencial de solucionar as disparidades competitivas entre os bancos atualmente existentes. Ao tokenizar ativos em uma plataforma unificada do BC, todas as instituições financeiras estariam em condições equivalentes ao oferecer produtos financeiros aos seus clientes.

“Por ser uma nova infraestrutura, acaba desonerando os esforços no desenvolvimento de sistemas legados operacionais. A tokenização vai trazer novos canais de distribuição de produtos. O universo da tokenização traz essa possibilidade de reduzir custo de contrato e de registro.”, afirma.

Banco Central

Recentemente, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, destacou que para a internacionalização da moeda brasileira, além da modernização da regulação cambial, que foi aprovada pelo Congresso Nacional em 2021 e entrou em vigor em janeiro, o Banco Central criou o Drex.

Para Campos Neto, a transformação da economia passa pela conexão entre moedas digitais e a tokenização de ativos para negociação, que é a extração de valor de um ativo de forma digital.

No Brasil, segundo ele, essa agenda é integrada em quatro blocos fundamentais: o PIX, que é o sistema de pagamento instantâneo do BC; a internacionalização da moeda; o Open Finance, que é o compartilhamento de dados financeiros; e o Drex. Todos, de acordo com o Campos Neto, estão em desenvolvimento e evolução.

Nesse sentido, o presidente do BC também defendeu a implementação de um marketplace de serviços financeiros no Brasil, um sistema agregador das contas e informações financeiras dos cidadãos. Para ele, os bancos passarão a competir por canal e por "principalidade", ou seja, o principal canal de acesso a esse ambiente de contas integradas.

“A gente está desembarcando em um caminho de marketplace de serviços financeiros. Se você tem quatro ou cinco contas de banco, não faz sentido ter quatro canais de entrada”, disse.