Um dos idealizadores da Lightning Network está trabalhando em uma nova solução de escalabilidade para a rede Bitcoin.

Tadge Dryja - coautor do artigo original que embasa a rede relâmpago do Bitcoin - divulgou um novo documento de pesquisa descrevendo uma proposta de solução de escalabilidade na qual vem trabalhando. O projeto foi publicado com incentivo do MIT Digital Currency Initiative, do Massachusetts Institute of Techmology.

Uma das grandes preocupações dos usuários de criptomoedas é a limitação de transações por segundo que a rede Bitcoin consegue suportar. Atualmente a capacidade da rede é de 7 transações por segundo.

Conforme o número de transações na fila de espera cresce, aumenta também a taxa cobrada pelos mineradores para realizar a transação. A rede Ethereum (ETH), por sua vez, consegue realizar 15 transações por segundo.

As duas maiores criptomoedas em mercado - Bitcoin e Ethereum - ainda estão muito longes de grandes concorrentes como o Paypal e a Visa. A rede de pagamentos digital realiza quase 200 transações por segundo enquanto a Visa tem uma capacidade para aproximadamente 20.000 transações por segundo.

Dryja não parou de trabalhar na questão e na última segunda-feira (3/6) lançou seu novo trabalho. A Utreexo tornaria a parte dos nós completos de Bitcoin menor e mais fácil de executar com a ajuda de provas criptográficas. O novo artigo do desenvolvedor traz mais detalhes sobre a nova solução.

Dryja é conhecido por ser um dos mais proeminentes tecnólogos por trás da ideia da Lightning Network. A rede realiza transações de Bitcoin em uma segunda camada do protocolo, fazendo com que a escalabilidade da rede aumente consideravelmente.

Vários grupos de desenvolvedores estão trabalhando para implementar a tecnologia de pagamentos com a Lightning, embora a tecnologia ainda seja experimental.

O UtreeXO, como o projeto foi batizado, tem uma motivação semelhante, que se resume a tornar os nós completos de Bitcoin mais fáceis de rodar.

Embora eles exijam alguns conhecimentos de computação para configurar, os nodes completos são a maneira mais segura de usar o Bitcoin, sem precisar confiar em um intermediário para verificar se as transações na rede são reais.

Dryja explica:

“À medida que o número de usuários do sistema aumenta, o conjunto UTXO cresce e o custo do recurso de execução de um nó aumenta. Isso levou a uma proporção progressivamente menor de usuários executando seu próprio nó à medida que mais usuários confiam em clientes leves ou em nós de terceiros para informá-los sobre o estado da rede.”

Um dos grandes problemas de se manter um nó completo da rede Bitcoin é o tamanho do arquivo a ser mantido em seu dispositivo. Hoje, um nó completo de Bitcoin contem 210 GB de informação - tornando praticamente impossível rodar um nó completo de Bitcoin em um celular.

Como solução, o artigo descreve como os nós poderiam usar provas criptográficas para armazenar menos dados sem comprometer a segurança. 

“Os nós que usam o acumulador precisam apenas armazenar uma representação logaritmicamente dimensionada do conjunto UTXO, reduzindo bastante o espaço de armazenamento e os tempos de busca de disco”, afirma o documento.

O artigo também revela os resultados das simulações que Dryja realizou mostrando os benefícios do esquema.

Mas nem tudo são flores. Analisando os dados dos testes encontra-se um pequeno problema: embora os requisitos de armazenamento diminuam em geral, os dados das provas aumentam a carga da largura de banda da rede.

"Em nossas simulações de download de blockchain do Bitcoin até o início de 2019 com 500MB de RAM alocados para armazenamento em cache, as provas apenas adicionam aproximadamente 25% à quantidade baixada de outra forma", explica.

O desenvolvedor transformou o projeto em código aberto e qualquer programador que se interesse pela nova solução pode contribuir com o código.

As tentativas de tornar a rede Bitcoin escalável não param de surgir. Como mostrou o Cointelegraph, a RIF Labs acaba de lançar uma nova idéia para tornar as transações de BTC mais rápidas. A tecnologia foi denominada de "solução de terceira camada" e está em desenvolvimento.