O ano de 2020 foi de mudanças profundas em todo o cenário global, e para o mercado cripto não foi diferente: as criptomoedas finalmente entraram na mira das grandes corporações e de gigantes de investimentos.

Algumas das maiores empresas de investimentos do mundo tiveram que se mover diante do desempenho ruim dos mercados financeiros durante a crise de coronavírus, que levou à desvalorização global do dólar, à desvalorização em massa de papéis antes tidos como "seguros" e a um desempenho surpreendente das criptomoedas desde março, na eclosão da pandemia.

Se as criptomoedas - e em especial o Bitcoin - sofreram com o crash de março, o descolamento do mercado cripto do péssimo ano dos mercados financeiros atraiu as atenções de grandes corporações e grupos de investimento. O mercado cripto, antes visto como extremamente volátil e inseguro, foi visto como um hedge para aqueles que enxergavam suas ações derreterem diante do lockdown global.

Os grandes grupos de investimento perceberam este movimento e passaram a alocar seu patrimônio em Bitcoin, com as maiores corporações adquirindo mais de 500.000 BTC só em 2020.

Segundo o portal Bitcoin Treasuries, que rastreia as propriedades em Bitcoin das maiores corporações do mundo, as maiores empresas de capital aberto do planeta já são donas de 785.000 BTCs, ou US$ 10 bilhões - ou ainda: 3,74% do suprimento total de Bitcoins em circulação.

O número expressivo chama mais atenção se considerarmos que bem mais de dois terços deste patrimônio foi adquirido ao longo de 2020.

A dona da maior parte dos Bitcoins nas mãos das corporações é a Grayscale, que possui em seu Grayscale Bitcoin Trust nada menos que 456.000 BTC avaliados em US$ 5,8 bilhões, ou 2,17% de todos os Bitcoins disponíveis.

O segundo lugar é da Block.one, com 140.000 unidades de Bitcoin que hoje valeriam US$ 1,78 bilhões, seguida da Coinshares, com 69.730 BTC (US$ 891 milhões) e da MicroStrategy, com 38.250 BTC ou US$ 448 milhões.

Ainda são dignas de nota na lista da Bitcoin Treasuries a gigante de investimentos Square, que tem valor de mercado de US$ 77 bilhões e comprou US$ 50 milhões em Bitcoin neste ano, a Tezos Fundation, dona de 24.000 BTC (US$ 317 milhões) e a Stone Ridge, que tem mais 10.000 BTC.

Com a confirmação do estabelecimento de uma nova máxima de 14 meses do Bitcoin nesta semana e o apetite das corporações por mais Bitcoin - em ritmo até mais veloz do que a produção de mineração da criptomoeda - a expectativa é que a pressão da entrada das corporações leve a moeda a um novo rali.

Se o Bitcoin vai finalmente bater sua máxima em US$ 20.000 - e se as corporações vão lucrar com isso - ainda em 2020, só poderemos responder em dezembro. Com a chegada do BTC e das criptomoedas ao PayPal, novos gigantes podem entrar no mercado e impulsionar a moeda para a lua - ou além dela.

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