Para Joe Lubin, China evitará os 'aspectos descentralizadores' da blockchain

É pouco provável que o vindouro renminbi digital da China use blockchain, considera o cofundador da Ethereum (ETH) e CEO da ConsenSys Joe Lubin.

Em uma entrevista ao Squawk Box Asia da CNBC em 6 de novembro, Lubin argumentou que o Banco Popular da China (PBoC) tem pouco a ganhar - para seus propósitos - dos aspectos descentralizados da tecnologia.

"Não há motivo real" para a China fazer uso da descentralização

Conforme relatado, o curso legal digital da China - ou moeda digital de banco central (CBDC) - será controlado pelo PBoC e os funcionários disseram que esperam que o ativo “tenha muitos impactos positivos, incluindo o rastreamento do fluxo de dinheiro nas atividades econômicas e o apoio à tomada de decisões da política monetária."

Lubin disse à CNBC que, embora o princípio da descentralização na blockchain seja usado para estabelecer confiança:

“A China provavelmente não está interessada nesse aspecto da blockchain. Acredito que eles virão com um RMB digital para a China que utilize alguns dos princípios criptográficos da tecnologia blockchain, mas não há motivo real para a China usar seus aspectos descentralizadores”

Lubin observou que, se o sistema fosse projetado para ser operado por vários players, não apenas pelo banco central, é possível que seus criadores implementassem os "aspectos mais completos da blockchain". No entanto, "provavelmente será apenas o yuandigital, ele não terá o aspecto descentralizado”, afirmou.

A CBDC será usada para manter o controle já existente

Sobre se a vindoura CBDC aumentará a capacidade das autoridades de policiar e supervisionar centralmente os fluxos de capital, Lubin subestimou a ideia, argumentando que:

“Acho que o banco central e o governo já têm um controle muito significativo. Meu palpite é que ela será usada para manter o controle que eles já têm, mas também para potencialmente permitir a interoperação entre mais sistemas públicos e globais.”

No verão deste ano, Yang Dong - diretor do Centro de Pesquisa em Finanças, Tecnologia e Cibersegurança da Universidade Renmin da China - disse a repórteres do portal de notícias em inglês do Partido Comunista Chinês China Daily que a CBDC estava sendo testada para usos não-governamentais e aplicações de fronteira.

O vice-diretor do PBoC, Mu Changchun, revelou em agosto que a CBDC será estruturada como um sistema centralizado de dois níveis, com o PBoC no nível superior e com o segundo nível csendo ontrolado pelos bancos comerciais domésticos.

No final do mês passado, o vice-presidente do grupo de especialistas em economia da China, o Centro de Intercâmbio Econômico Internacional da China, disse estar confiante de que o PBoC venceria a corrida global para se tornar o primeiro banco central a lançar uma CBDC.

O Comitê Permanente do 13º Congresso Nacional do Povo da China aprovou uma nova lei que regula a criptografia em 26 de outubro, que entrará em vigor em 1º de janeiro de 2020. Há boatos de que o novo regulamento faz parte dos preparativos para a moeda que está por vir.