Pela quarta semana consecutiva, investidores alocaram capital em fundos com exposição a criptomoedas, somando US$ 742 milhões em aportes no período. Os dados são da CoinShares. Além disso, o total de ativos sob gestão desses fundos no acumulado anual é 961% maior em relação ao mesmo período em 2022. Alexandre Vasarhelyi, sócio-fundador da BLP Asset, comenta o aparente aumento no interesse em fundos cripto.
Mais uma semana positiva
Entre os dias 10 e 16 de julho, investidores institucionais alocaram US$ 137 milhões em fundos com exposição a criptomoedas. Os instrumentos de investimento que oferecem exposição ao Bitcoin (BTC) tiveram o maior interesse, recebendo US$ 139,8 milhões.
No mesmo período, os fundos apostando contra uma desvalorização futura do BTC perderam US$ 3,2 milhões em ativos sob gestão (AUM, na sigla em inglês). Os fundos com exposição a Ethereum (ETH) também tiveram uma semana negativa, com saída de US$ 1,6 milhão em capital.
Os fundos com exposição a outros criptoativos, como Cardano (ADA), Polygon (MATIC) e XRP, cresceram US$ 2,4 milhões em AUM na última semana.
Investimentos em fundos cripto divididos por ativos de exposição. Imagem: CoinShares
Crescimento ano a ano é esperado
Os relatórios publicados semanalmente pela CoinShares apontam para um dado interessante: o forte crescimento no interesse em relação aos fundos cripto entre 2022 e 2023, medido pelo AUM.
Até a 28ª semana de 2022, o AUM acumulado era de US$ 47 milhões. Em 2023, o AUM acumulado no mesmo período é de US$ 499 milhões. O crescimento ano a ano é de 961%. Alexandre Vasarhelyi, sócio-fundador da BLP Asset, aponta que essa movimentação é natural.
“Os fundos de criptoativos ainda são muito pequenos, então, qualquer entrada de capital aumenta muito a base [de ativos sob gestão]”, diz Vasarhelyi. “Sabemos que a tendência dos investidores é comprar cotas de fundos quando o mercado está melhorando e, como nos últimos anos o mercado tem melhorado, acho natural que vejamos um fluxo de entrada em crescimento nesses produtos esse ano. Não vejo como ser diferente”, completa.
E o Brasil?
Mesmo com o interesse crescente em fundos cripto durante 2023, o AUM acumulado dos fundos brasileiros é de US$ 42 milhões negativos. Em 2022, o acumulado até a 28ª semana era de US$ 148,3 milhões.
Nas últimas três semanas, indo na contramão da tendência mundial de alocação em fundos de criptomoeda, investidores brasileiros têm retirado capital desses instrumentos de investimento.
Investimentos em fundos cripto por país. Imagem: CoinShares
O motivo pode ser o momento complicado enfrentado pelo mercado brasileiro de fundos como um todo, aponta Vasarhelyi. Em 2022, mesmo com a queda generalizada nos preços dos criptoativos, o AUM ainda se aproveitou do período de alta vivido entre 2020 e 2021.
Com base nesses dados, o sócio-fundador da BLP considera que o AUM de fundos cripto brasileiros no acumulado de 2023 está no ‘zero a zero’, mas com um panorama positivo para o semestre.
“O que estamos vendo no segundo semestre é uma tendência de retorno dos investidores aos fundos de criptoativos. Até então, os investidores ainda estavam tímidos, ou tinham tirado algum dinheiro”, conclui Vasarhelyi.
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