Quando a Ethereum fez a transição de um mecanismo de prova de trabalho para prova de participação em 2022, a mineradora de cripto Hive Digital precisou reformular seu modelo de negócios. O novo propósito para suas unidades de processamento gráfico (GPUs) da Nvidia era claro: aplicações de inteligência artificial.
As GPUs, adquiridas em um investimento de US$ 66 milhões em 2021, agora estão sendo usadas para fornecer cargas de trabalho de IA, marcando uma nova direção no foco tecnológico da empresa.
Em uma entrevista exclusiva com o editor do Cointelegraph, Sam Bourgi, os executivos da Hive, Frank Holmes e Aidan Killick, detalharam como a empresa está aproveitando sua infraestrutura para atender à crescente demanda por poder de computação para IA.
Mais receita com IA
A aposta da Hive na IA gerou uma receita significativamente maior do que a mineração de criptomoedas. Segundo Killick, presidente e diretor de operações da empresa, as GPUs da Nvidia reprogramadas para tarefas de IA podem gerar até US$ 1 por hora, em comparação com US$ 0,12 por hora na mineração de criptomoedas.
Os novos chips H100 da Nvidia, projetados para aplicações de IA e que em breve estarão nos centros de dados da Hive, poderiam gerar US$ 2,50 por hora. “As instituições estão muito mais interessadas em nós com nossa IA do que no Bitcoin”, disse Holmes, presidente da Hive.
Os centros de dados da empresa na província canadense de New Brunswick e na Suécia estão sendo atualizados com refrigeração adicional e redundância de energia para suportar as cargas de trabalho de IA. Encontrar fontes de energia mais baratas e estáveis também faz parte da estratégia da empresa.
Em julho, a Hive anunciou planos para construir um local de mineração de 100 megawatts no Paraguai — seu primeiro local no país — que deverá mais que dobrar sua taxa de hash de mineração.
“O Paraguai é uma grande fronteira. É uma oportunidade imensa para nós. É toda energia hidrelétrica, e gostaríamos de ser líderes em balanceamento de rede”, disse Killick.
Fonte: HIVE Digital Technologies
O Bitcoin ainda ocupa um lugar de destaque
O crescimento dos negócios com IA não significa que o Bitcoin (BTC) deixou de ser relevante. Embora a estratégia de IA seja “realmente boa para administrar o negócio”, nas palavras de Holmes, “o longo prazo é o Bitcoin”.
A estratégia de negócios da Hive continua focada em maximizar o retorno sobre o investimento (ROI) para seu hardware de mineração.
“Mineramos nossas máquinas não apenas para pagar de volta, mas para gerar fluxo de caixa livre até atingirmos o ponto de equilíbrio, e então fazemos o upgrade”, disse Killick.
Segundo o executivo, a empresa registrou margens de mineração brutas lucrativas nos últimos três anos, utilizando o fluxo de caixa das operações para financiar o crescimento sem diluição significativa dos acionistas.
No ambiente pós-halving do Bitcoin, muitos mineradores lutaram com a rentabilidade, já que os preços de hash atingiram mínimos históricos de US$ 40 por peta hash por dia. Para Killick, no entanto, os preços foram mais como um “pouso suave”.
“A razão é que neste ciclo de halving, temos uma máquina totalmente nova, a Bitmain S21, e essa máquina atualmente gera uma receita de cerca de US$ 0,10 por quilowatt-hora.”
A expansão das instalações na América Latina também está ligada ao negócio de mineração de Bitcoin. Segundo os executivos, o objetivo da Hive com o Paraguai é atingir 2-3% da rede global de Bitcoin.
“Acreditamos no Bitcoin, e queremos moedas verdes e limpas em nosso balanço patrimonial porque sabemos que serão mais valiosas”, observou Holmes.