A série de ataques de hackers a canais relevantes no YouTube ganhou uma história curiosa nesta semana, quando um hacker invadiu o canal de um dos maiores youtubers de Portugal, conhecido como Windoh, com 1,74 milhões de seguidores.
Diogo Figueiras, o nome por trás do canal, começou transmitindo lives de games como Counter Strike, mas logo passou a se apresentar como especialista financeiro, mostrando "onde investe seu dinheiro desde os 12, 13 anos".
Windoh é famoso também por oferecer cursos de educação financeira e de investimentos em criptomoedas. Segundo o Observador, Figueiras afirma que estudou sobre o assundo e "decidiu compartilhar o conhecimento com quem o segue e criar cursos sobre criptoativos, lançando mais uma área de negócio.
O youtuber também é dono de uma empresa de educação financeira, a BlackNetwork, que é dedicada a oferecer "cursos e educação de forma fidedigna", entre eles um curso sobre criptomoedas "bastante completo e feito por especialistas, sendo o melhor curso do mercado". Um dos jargões usados por ele é bem conhecido do criptomercado:
“O mercado da cripto está ao alcance de todos, qualquer um pode fazer dinheiro com isto”
A sorte do youtuber, porém, começou a mudar nesta semana. Seu canal do YouTube foi invadido por um hacker que responde sobe a alcunha de Redlive13, que garante ter pirateado um dos cursos do suposto "especialista" e expôs um "esquema de burla (fraude)", de Windoh.
O hacker garante que pretende vender cursos online, mas de outro tema, de pirataria informática. Ele invadiu o site dos cursos e conseguiu acessar a base de dados de 22 clientes do youtuber, acusando agora Diogo Figueiras de fraudar seus alunos. Os cursos custam entre 50 a 500 EUR.
Ao acessar o site da BlackNetwork como administrador e reuniu documentos para publicar um outro vídeo, que expôe a base do curso de criptomoedas do youtuber, acusando: "É um copypaste da Wikipedia".
Equipe do youtuber contactou o hacker primeiro
Segundo o hacker, a equipe de Windoh entrou em contato com o hacker antes da invasão, tentando obter dados de um usuário do Twitter que estaria expondo informações de um projeto do youtuber:
“Queriam-me pagar para obter essa informação, ainda que não tenham ficado acordados os valores. Disse que não queria. Contactei o tal utilizador, que recebeu várias ameaças, para esclarecer. Decidi averiguar e acabei por acessar ao site”
Diante das informações que ele garante ter conseguido no site do youtuber, ele decidiu fazer o que ele classifica como "justiça virtual":
“Consegui perceber que o curso nem valia dez euros, qualquer miúdo do sexto ano consegue fazer aquilo. Dizem que vai mudar a vida, mas foi feito em 20 minutos. Windoh fala de especialistas, mas no fim não existe nenhum”
Ao Observador, o youtuber Diogo Figueiras garante que as acusações são "mentira", que o curso foi "criado com seriedade" por pessoas que "trabalham nisto há sete, oito anos".
Um dos clientes dos cursos também fala na matéria e disse que se arrependeu de ter pagado 400 EUR por um curso que, segundo ele, tinha informações demais:
“Foram 400 euros de que me arrependo imenso. Não tinha nada de relevante para a aprendizagem, estavam lá informações que se encontram na internet. Além disso, também percebi pouco dos vídeos. Fiquei com mais dúvidas”
Outro ex-cliente diz que o curso não oferece referências bibliográficas nem informa quais são os especialistas consultados para a composição do conteúdo. Além disso, o youtuber teria permitido a participação de menores de idade, o que é proibido em Portugal.
Depois da exposição causada pelo hacker, Windoh afirma que vai reembolsar os incritos que se disserem insatisfeitos, mas os clientes ouvidos pela reportagem dizem não terem sido contactados.
O hacker, Redlive13, diz se dedicar ao hacking desde os 12 anos, mas recentemente se "converteu" para usar seus conhecimentos em prol da comunidade. Ele garante que vai lançar em breve um curso sobre hacking e programação, com videoaulas, e-book e outras informações sobre a profissão de hacker.
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