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Cassio Gusson
Escrito por Cassio Gusson,Redator
Lucas Caram
Revisado por Lucas Caram,Editor da Equipe

Governo escolhe padrão para TV 3.0, mas todo brasileiro terá que trocar de televisão já no ano que vem

A nova geração de TV digital integrará o conteúdo transmitido pelo serviço de radiodifusão à internet, criando novos modelos de negócios e empregos

Governo escolhe padrão para TV 3.0, mas todo brasileiro terá que trocar de televisão já no ano que vem
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Durante reunião nesta semana, o Conselho Deliberativo do Fórum do Sistema Brasileiro de Televisão Digital (Sbtvd) recomendou por unanimidade ao Ministério das Comunicações que o país adote o sistema ATSC 3.0 (Comitê de Sistema Avançado de Televisão) como padrão técnico para futuras transmissões da televisão 3.0 no Brasil

“Esta é uma das revoluções mais esperadas do setor. A nova geração de TV digital integrará o conteúdo transmitido pelo serviço de radiodifusão à internet, criando novos modelos de negócios e empregos", disse o ministro das Comunicações, Juscelino Filho.

Essa recomendação é fruto de testes realizados pelo fórum entre dezembro de 2023 e maio de 2024, visando definir a última camada física do padrão TV 3.0. Aproximadamente 90 pesquisadores de nove universidades brasileiras, com recursos financeiros federais, participaram desse desenvolvimento. Em abril, o Ministério das Comunicações anunciou que o novo padrão de televisão aberta estará pronto para operar em 2025.

No entanto, segundo o secretário de Comunicação Social Eletrônica, Wilson Diniz, não há modelos de TV disponíveis no mercado brasileiro que possam receber o sinal da 'TV 3.0'. Por isso, no primeiro momento de implantação, será preciso usar conversores.

Desse modo, o governo trabalho com duas fases de implementação: tvs com receptores e, depois, novas tvs com suporte para o novo sinal. No entanto, para atender a demanda de mais de 69,6 milhões de lares com TV no Brasil, o governo ainda não definiu se os conversores serão fornecidos de graça ou se a população terá que comprar o equipamento.

"Como a vida útil das TVs tem uma carga ainda a ser cumprida, em especial porque tivemos eventos esportivos importantes nos últimos anos que fomentaram a troca dos televisores, entendemos que no começo vamos ter que ter um receptor que faça a conversão desses sinais", declarou o secretário ao G1.

Mas o que é essa tal de TV 3.0?

A TV 3.0 é um novo padrão para as transmissões nacionais que vai mudar radicalmente como os programas de televisão são produzidos, consumidos e distribuídos.

A mudança vai impactar todo o mercado de produção de conteúdo, sejam eles produzidos por canais abertos como Globo, SBT, Record, Band e outros; canais de televisão paga como CNN, Fox, Globo News e até mesmo produtores de conteúdo independente como influencers, youtubers e tantos outros.

O novo padrão, que deve ser implementado no Brasil já em 2025, pode unir a tela da televisão com o amplo mundo da internet, metaverso e Web 3. Isso ocorre, pois, entre as funções a serem habilitadas pela TV3.0 está a integração entre conteúdo transmitido pelo serviço de radiodifusão e pela internet.

Para isso, a Secretaria de Comunicação Social Eletrônica do Ministério das Comunicações estuda adoção de um padrão e está dividido entre o norte-americano (ATSC 3.0) e o japonês (Advanced ISDB-T).

A TV 3.0 promete melhorias significativas em termos de qualidade de conteúdo, interatividade e personalização, bem como maior robustez na transmissão de sinais, especialmente para dispositivos móveis.

Uma das principais características da TV 3.0 é sua capacidade de transmitir conteúdos de vídeo em alta definição, em até 8K. Além disso, será compatível com áudio imersivo e personalizado, como o padrão Dolby Atmos e outros no formato MPEG-H Audio. Isto é, desde que a TV em questão tenha essas capacidades.

Com a TV3.0 as emissoras podem oderecer programas diferentes simultaneamente para públicos específicos, com base no perfil do telespectador, que será monitorado em tempo real através de algoritmos. Isto sugere que a TV 3.0 terá um nível de personalização que a TV convencional não possui.

Além disso, há grande possibilidade de integração com a Web 3 tendo em vista que o processo de assistir TV passará por uma etapa de login, tal qual na internet.

"O primeiro aspecto que precisa ser entendido é que a experiência de assistir TV 3.0 será uma experiência logada. Ou seja, você precisará informar quem você é para acessar os conteúdos. Isso é comum hoje na internet, e milhões de pessoas se logam para ver e ouvir conteúdos pagos e gratuitos", destaca Raymundo Barros diretor de tecnologia e estratégia da Globo.

TV 3.0 e celular

Outra característica importante da TV 3.0 é sua capacidade de transmitir sinais para dispositivos móveis com robustez e precisão, sem quedas de sinal. Isso significa que os espectadores poderão assistir ao conteúdo de TV com a mesma qualidade, independentemente do dispositivo que estão usando, seja um telefone celular, um tablet ou uma TV.

"Os telespectadores podem 'ver' TV onde ele estiver: na rua, no carro, no metrô, em viagem, com qualquer dispositivo ele poderá acessar os conteúdos oferecidos pelas empresas de mídia. Estará tudo disponível em todas as telas que o consumidor quiser", apontou Barros.

Além disso, a TV 3.0 está buscando integrar plataformas de streaming para oferecer aos usuários uma experiência integrada de TV e internet. Isso sugere que a TV 3.0 não será apenas uma evolução da TV como a conhecemos, mas uma fusão de várias formas de mídia em uma única plataforma.

TV 3.0, Web 3 e Drex

A TV 3.0, representando a evolução da televisão para um modelo mais interativo e sob demanda, está se preparando para se unir à Web 3.0 e à tecnologia blockchain, abrindo caminho para novas possibilidades e mudanças significativas no cenário do entretenimento e da mídia.

A Web 3.0, impulsionada pela tecnologia blockchain, promete um ambiente descentralizado e autônomo. Isso significa que o conteúdo de televisão pode ser distribuído e acessado diretamente pelos espectadores, sem a necessidade de intermediários tradicionais, como redes de televisão ou plataformas de streaming.

Assim, contratos inteligentes baseados em blockchain, com o uso do Drex podem automatizar a distribuição de royalties e pagamentos de direitos autorais, garantindo uma compensação justa para os criadores de conteúdo.

A tecnologia blockchain pode ser usada para garantir a transparência e autenticidade do conteúdo de televisão. Por exemplo, registros imutáveis de blockchain podem ser usados para rastrear a proveniência de vídeos e programas de televisão, garantindo que não sejam adulterados ou falsificados. Isso pode ser especialmente útil para combater a disseminação de notícias falsas e garantir a integridade do jornalismo.

Com a integração da blockchain, os espectadores podem ser recompensados por assistir e interagir com conteúdo de televisão. Por meio de tokens baseados em blockchain, os espectadores podem receber recompensas por assistir a anúncios, participar de pesquisas ou compartilhar conteúdo em redes sociais.

No Drex, contratos inteligentes com micropagamentos e pagamentos diretos entre criadores de conteúdo e espectadores, podem automatizar o processo de pagamento, permitindo que os espectadores paguem apenas pelo conteúdo que desejam assistir, em vez de serem obrigados a assinar pacotes de canais ou serviços de streaming.

Com a combinação da TV 3.0 e a tecnologia blockchain, os algoritmos de recomendação podem se tornar mais precisos e eficazes. Ao analisar o comportamento do espectador de forma transparente e segura através da blockchain, os sistemas de recomendação podem oferecer sugestões de conteúdo mais relevantes e personalizadas.

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