A última pesquisa do Bank of America Global Fund Manager revela que “pela primeira vez desde fevereiro, mais investidores dizem que a economia global está em uma fase inicial da recessão”, dando também elementos para se crer que a recessão mundial arrefeceu.

Então, a recessão realmente já ficou para trás? 

Há quem diga que sim, mas as medidas extraordinárias de estímulo tanto dos bancos centrais quanto dos governos ocultam fraquezas, como a perda da força do dólar, motivada pelo excesso da moeda no mercado e pela tentativa do Fed de prover liquidez ao sistema financeiro.

Imagem: BofA

O mercado de trabalho talvez seja o melhor exemplo disso. Nos EUA, a taxa de desemprego ainda é alta e o número de empregos permanentes está aumentando.

Essa recuperação desigual, agora comumente tratada como recuperação em forma de K, só pode continuar e se ampliar com ainda mais estímulos. Caso contrário, provavelmente irá falhar, como apostam os críticos da política fiscal e monetária americana, como é o caso do ex-presidente do Fed, Alan Greenspan.

Contudo, o que está evidenciado no estudo do BofA é que a recessão tecnicamente já passou do ponto de vista mundial. O que favorece a retomada do PIB mundial e por conseguinte, o ambiente de negócios.

Alan Greenspan, Presidente do Federal Reserve (FED) por 19 anos e sobrevivente de 3 crises, afirmou estar preocupado com a situação da economia norte-americana no pós-pandemia.

Após Jerome Powell, atual Presidente do FED, afirmar que a instituição deverá seguir uma Política Monetária condescendente com a inflação, Greenspan disse à CNBC que os gastos desenfreados, o envelhecimento da população e a necessidade de desinflar a Base Monetária, após 12 anos de Quantitative Easings, expõem a economia do país a uma fragilidade inédita e a principal fragilidade está baseada na força do dólar, que vem perdendo força diante de várias moedas, frente ao ouro e principalmente frente ao Bitcoin.

O ouro é o farol dos mercados

Wall Street e o ouro tiveram aumentos de preços destacados nos últimos 20 pregões, puxando todo o mercado mundial e por sua vez, o mercado de criptoativos a reboque.

O Bitcoin seguiu a tendência de alta e permaneceu ligado aos mercados de capitais, na primeira semana de setembro, enquanto as demais criptomoedas registraram ganhos impressionantes, como foi o caso da Chainlink, Tezos e todo o mercado de DeFi, reduzindo o domínio do Bitcoin por sua vez.

Na segunda semana de setembro, o Bitcoin amargou mais de uma semana de queda e perda expressiva. Cerca de US$ 100 bilhões evaporaram do marketcap do Bitcoin. Contudo, a correlação entre ouro e o Bitcoin permaneceu firme e todo o mercado financeiro e seus índices acompanharam a movimentação do ouro, subindo e caindo sempre que metal oscilava, como podemos ver no gráfico abaixo.

Imagem: Yahoo! Finance

No gráfico acima, o ouro está demonstrado na linha azul, o Bitcoin na linha amarela, o Dow Jones no azul claro e Nasdaq na linha rosa.
O preço do ouro também aumentou de sua baixa intradiária de US$ 1.945 por onça para mais de US$ 1.966 nesta quarta-feira. A correlação de 60 dias entre o metal precioso e o Bitcoin atingiu um novo recorde, apesar dos sinais de desacoplamento nas últimas semanas, segundo estudo da Coinmetrics. 

Imagem: Coinmetrics

A correlação positiva aumentou acentuadamente no início de julho, quando o dólar dos EUA começou a perder partes substanciais de valor. Como tal, parece que durante estes tempos de incerteza para a moeda de reserva global, os investidores estão se voltando para ativos escassos como ouro e Bitcoin.

Ouro e Bitcoin estão entre os ativos de melhor desempenho desde o início do ano. Ambos os ativos estão correlacionados desde então. No entanto, o ouro subiu 27% no acumulado do ano, enquanto o Bitcoin ganhou mais de 40%.

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