O Hamas, grupo que governa Gaza, busca financiamento em Bitcoin para combater o isolamento financeiro

O braço armado do Hamas - a autoridade governamental de facto da Faixa de Gaza, na Palestina - apelou a seus apoiantes para que enviem fundos usando o Bitcoin (BTC). O apelo foi feito pelo canal oficial do Telegram de Abu Obeida, porta-voz das Brigadas Izz ad-Din al-Qassam do Hamas, em 29 de janeiro.

O Hamas - que compreende o braço de serviço social “Dawah” e a facção militar “Brigadas Izz ad-Din al-Qassam” - é considerado uma organização terrorista, no todo ou em parte, por vários países e organizações internacionais - incluindo Estados Unidos e União Europeia.

Rússia, Turquia e China estão entre as principais potências mundiais que não veem o grupo como uma entidade terrorista.

Em sua mensagem, Abu Obeida conclamou “todos os amantes da resistência e os defensores de nossa causa justa para apoiar financeiramente a resistência usando a moeda 'Bitcoin'”, acrescentando que um mecanismo exato de financiamento para a transação da criptomoeda seria anunciado em breve. Ele continuou:

"O inimigo sionista está lutando contra a resistência ao tentar cortar seu apoio por todos os meios, mas os amantes da resistência em todo o mundo estão lutando contra essas tentativas sionistas e estão procurando encontrar todo o apoio possível para a resistência."

O Hamas governa a Faixa de Gaza desde 2007, após vencer um conflito militar contra o partido político nacionalista palestino Fatah - uma luta pelo poder que resultou na derrota deste último nas eleições parlamentares de 2006. A Faixa de Gaza continua sujeita a um bloqueio por terra, água e ar imposto por Israel e Egito, na esteira da vitória do Hamas, o que restringe severamente o movimento de pessoas e bens.

O movimento de Abu Obeida em direção ao Bitcoin ocorre no contexto imediato da decisão do primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu de congelar temporariamente milhões de dólares da ajuda do Catar - incluindo 15 milhões de dólares por mês para pagar os salários dos funcionários do Hamas - para a Faixa de Gaza, em retaliação a um recente aumento de tensões fronteiriças entre Israel e o Hamas.

Além do bloqueio à Faixa de Gaza, dada a designação do Hamas como uma entidade terrorista em muitos países ocidentais, muitos bancos globais restringem os serviços ao grupo por meio de seus mecanismos de prevenção de lavagem de dinheiro (AML) e de financiamento ilícito ao terrorismo.

Conforme relatado, a Câmara dos Deputados dos EUA aprovou uma lei em setembro que estabeleceria uma força-tarefa de cripto para combater o uso de criptomoedas por parte de terroristas.

Porém, uma audiência no Congresso concluiu que enquanto a Al-Qaeda, o Estado Islâmico e outros grupos terroristas tentam arrecadar fundos através de criptomoedas, seu sucesso tem sido limitado - e que, em muitos casos, as moedas fiduciárias proporcionam um anonimato mais robusto para a captação de recursos ilícitos.