Fundos de investimento alocaram US$ 2,23 bilhões em empresas do mercado de criptomoedas no primeiro trimestre de 2023, apontam dados do DefiLlama. Os investimentos em infraestrutura dominaram a lista, com US$ 1,13 bilhão aportado. Web3 e jogos em blockchain também se destacaram.
João Zecchin, sócio-fundador da gestora Fuse Capital, compartilhou com o Cointelegraph Brasil insights sobre o que as áreas de atenção dos fundos podem dizer sobre a visão dos institucionais sobre o mercado cripto.
A área de maior atrito
A predominância de investimentos em projetos de infraestrutura pode ser justificada pelo estágio ainda inicial no qual o mercado de blockchain ainda se encontra, diz Zecchin. “Tendo começado no início da década passada, ele ainda se encontra em constante transformação e desenvolvimento. Portanto, a parte mais estabelecida e com maior atrito para mudança é a área de infraestrutura”, avalia.
Além disso, pelas características comentadas por Zecchin, ele diz que o segmento de infraestrutura é o que apresenta oportunidades com menor probabilidade de erro. “Todas as soluções listadas são dependentes de algum tipo de infraestrutura, diminuindo seu risco e aumentando a quantidade de capital disponível.”
A concentração de capital em projetos de infraestrutura também aponta para a primariedade das opções disponíveis no mercado atualmente. Zecchin compara algumas áreas do setor de ativos digitais com uma casa.
“Se o mercado de DeFi fosse uma casa, ainda estaríamos vendo as paredes sem reboco, com os canos e parte elétrica aparentes. Portanto, ainda se demanda muito investimento para que todos os outros segmentos listados possam rodar com a experiência de web2 que os usuários estão acostumados, assim, apresentando uma gama de oportunidades muito grande para investidores.”
Crescente de GameFi
O setor de jogos em blockchain, também chamado de GameFi, exibiu uma crescente em investimentos no primeiro trimestre deste ano. Foram apenas US$ 26,9 milhões aportados por fundos em janeiro, que se tornaram US$ 105,7 milhões em fevereiro e US$ 146 milhões em março.
O sócio-fundador da Fuse atribui o crescimento dos investimentos com um movimento muito forte de descentralização na área de jogos. Um dos exemplos mencionados por Zecchin é o lançamento de ferramentas que antes eram “trancadas a sete chaves” pelos grandes estúdios e não chegavam aos desenvolvedores independentes, como a Unreal Engine.
“Os jogos também têm plugins montados em cima do ChatGPT, que permitem que uma IA crie esses ambientes [tridimensionais realistas] por prompts. Isso deve aumentar muito a produção de novos jogos de qualidade. Em paralelo, muitos apostam que a forma de monetização destes jogos independentes deve se dar pelas estruturas da blockchain e da possibilidade de propriedades virtuais por meio de NFTs. A dinâmica desses dois fatores estão criando uma narrativa muito promissora para o mercado de GameFi.”
Incerteza regulatória prejudica DeFi
As aplicações em finanças descentralizadas (DeFi, na sigla em inglês) receberam uma das menores parcelas de investimentos durante o primeiro trimestre de 2023. Ao mesmo tempo, reguladores falam sobre implementar regulamentações a aplicações descentralizadas, com discursos envolvendo até mesmo o processo de identificação de usuários através de dados pessoais.
Para João Zecchin, da Fuse, a incerteza regulatória tem deixado muitos investidores receosos em relação às DeFi, resultando na queda de investimentos. Além disso, mesmo com a resiliência exibida pelas aplicações descentralizadas em 2022, os retornos prometidos por diversas plataformas do setor não eram sustentáveis, acrescenta Zecchin.
“Em nossa visão, o mercado está empenhado em utilizar essas ferramentas criadas e testadas durante os últimos dois anos em produtos do mundo ‘real’, que aí sim geram rendimentos sustentáveis”, conclui o sócio-fundador da Fuse Capital.
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