Resumo da notícia
Ark prevê salto da tokenização de bilhões para trilhões em cinco anos
Ações e depósitos devem liderar migração de ativos para blockchain
Mercado cripto pode atingir US$ 28 trilhões até 2030
Depois do boom das stablecoins em 2025, o setor de criptomoedas voltou a ganhar um novo eixo de atenção no radar dos grandes investidores institucionais. Desta vez, o foco não está apenas nos meios de pagamento digitais, mas na tokenização de ativos do mundo real, um segmento que, segundo projeções da Ark Invest, pode alcançar um valor de mercado de US$ 11 trilhões até 2030.
A estimativa parte de um cenário em que instrumentos financeiros tradicionais, como ações, títulos públicos e depósitos bancários, passam a ser representados diretamente em blockchain.
Hoje, esse mercado ainda é pequeno em escala global. Dados reunidos pela própria Ark indicam que os ativos tokenizados somam algo entre US$ 19 bilhões e US$ 22 bilhões, valor concentrado principalmente em dívida soberana, com destaque para os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
O salto projetado pela gestora implica um crescimento superior a 50 mil por cento em apenas cinco anos, uma taxa que reflete a expectativa de que o setor financeiro tradicional acelere sua migração para infraestruturas digitais baseadas em blockchain.
Para a Ark, esse movimento depende de dois pilares centrais: maior clareza regulatória e o amadurecimento de plataformas capazes de atender aos padrões de segurança, custódia e compliance exigidos por grandes instituições.
Adesão institucional
Nos últimos meses, sinais de adesão institucional começaram a se multiplicar. A Bolsa de Nova York anunciou que está desenvolvendo um ambiente baseado em blockchain para permitir a negociação contínua de ações e fundos negociados em bolsa tokenizados. A iniciativa ainda depende de autorização regulatória, mas a expectativa é de lançamento ainda este ano, o que representaria um marco simbólico para a integração entre mercados tradicionais e infraestrutura digital.
Outras instituições também avançaram em projetos semelhantes. A F/m Investments, gestora responsável por um ETF lastreado em títulos do Tesouro americano com mais de US$ 6 bilhões sob gestão, solicitou autorização para registrar cotas existentes do fundo diretamente em blockchain. Ao mesmo tempo, o banco custodiante State Street iniciou a implantação de uma plataforma de ativos digitais voltada para fundos de mercado monetário, ETFs e produtos de caixa, incluindo depósitos tokenizados e stablecoins.
Na Europa, o London Stock Exchange Group lançou uma estrutura de liquidação digital que conecta sistemas tradicionais de pagamento com redes blockchain. O objetivo é permitir liquidações quase instantâneas, reduzindo riscos de contraparte e atrasos operacionais em transações financeiras de grande porte.
Apesar do avanço, a Ark aponta que a tokenização ainda ocupa uma fatia mínima do sistema financeiro global. Mesmo que o setor alcance os US$ 11 trilhões projetados até o fim da década, esse valor representaria apenas cerca de 1,4% de todos os ativos financeiros do mundo. Para a gestora, isso revela que a maior oportunidade de crescimento do mercado cripto não está em ativos nativos digitais, mas na migração de valor já existente fora da blockchain para estruturas onchain.
Brasil
Outras consultorias e bancos de investimento também publicaram projeções bilionárias para o setor. A TD Cowen avalia que os ativos tokenizados podem atingir até US$ 100 trilhões até 2030. A Boston Consulting Group, em parceria com a Ripple, projeta quase US$ 19 trilhões até 2033. Já o Citi estima um mercado de até US$ 4 trilhões em títulos digitais tokenizados, além de até US$ 5 trilhões em moedas digitais de bancos centrais circulando nas principais economias.
No Brasil o mercado de tokenização segue movimentando os investidores desde 2018, quando os primeiros tokens RWA foram lançados pelo Mercado Bitcoin e BTG Pactual (não liberado para investidores nacionais no começo). Após esse pioneirirsmo o mercado não parou de crescer e agregar players, principalmente após o avanço da CVM na clareza regulatória com a IN 88 e o Sandbox regulatório.
Para 2026, a autarquia prepara uma ampla revisão do mercado que pode impulsionar ainda mais o setor no Brasil principalmente com a entrada em vigor do sistema da Duplicata Escritural do Banco Central do Brasil.

