Os representantes do primeiro fundo de investimentos em criptomoedas do Brasil, BLP Criptoativos FIM, que atua no país desde novembro do ano passado, afirmaram, em entrevista à revista Valor Investe em 22 de maio, que “superaram sua primeira grande baixa”.

Os empresários se referem ao “bear market” recente, quando o preço do Bitcoin caiu para cerca de US$ 3 mil entre os meses de novembro de 2018 a março de 2019 e também afirmaram que “apesar do baixo rendimento até aqui, esperam que a menor volatilidade conduza a um crescimento mais consistente do mercado no médio prazo”.

O fundo, comandado por sete empresários do mercado financeiro com passagens por instituições como o banco Credit Suisse, tem rendimento acumulado de apenas 0,41%, mas, segundo afirmam, tem uma demanda crescente, diz a matéria. 

O sócio-fundador Glauco Cavalcanti diz que o fundo sofreu com a queda do preço do Bitcoin nos meses seguintes à sua criação.

“Quando a gente começou, o Bitcoin estava num valor altíssimo; infelizmente o mercado despencou e caímos junto dele.”

O recente rali do mercado de criptomoedas ajudou o fundo a sair do buraco e retomar a lucratividade, embora com média ainda menor que outras aplicações populares como CDI e Ibovespa, diz o texto do Valor Investe.

O fundo foi lançado após permissão da Comissão de Valores Mobiliários (CVM), que condicionou a permissão a um teto de 20% de alocação de moedas digitais - os 80% restantes são de títulos da dívida pública brasileira. 

Os investimentos dariam prioridade a moedas “puras” (“que são negociadas via blockchain e têm como função de servirem de meios de pagamento”), como Bitcoin e Litecoin; moedas baseadas contratos inteligentes como o Ethereum (ETH); e não-rastreáveis e focadas no anonimato como o Monero (XMR).

Curiosamente, não há investimentos em Ripple (XRP). “É uma cripto importante, mas a gente não gosta do protocolo; não é totalmente descentralizado”, diz Cavalcante.

Atualmente o fundo já agregaria 571 investidores, com piso de R$1.000 para aportes e carteira de R$ 3,7 milhões.

Cavalcanti reconhece que havia uma “bolha aparente” para o Bitcoin, mas não considera que ela tenha “estourado”. Ele diz que o estouro real seria se a maior criptomoeda caísse para a faixa dos US$ 100.

Ele diz que está satisfeito com o desempenho do produto, e recomenda o investimento entre 1% e 5% do patrimônio neste tipo de ativos.

Finalmente, o fundador do BLP Criptoativos FIM diz que espera que o mercado se consolide através da regulação e diminuição da volatilidade. “A volatilidade cair seria uma notícia melhor do que o preço subir”, diz ele, completando:

“Não dá pra esperar que as criptos se consolidem como recursos de poupança enquanto a volatilidade for tão brutal.”