A multinacional de serviços profissionais Ernest & Young, ou EY, uma das empresas de consultoria que compõem o Big Four, está montando sua equipe de blockchain no Brasil e faz planos de montar um centro de excelência no país. A matéria é do portal BlockNews.

Segundo o texto, a EY Brasil começou a montar sua equipe de blockchain em setembro de 2019. No Brasil, a empresa busca ganhar mercado e desenvolver projetos como um Minimo Produto Viável (MVP) para gestão de numerário, com meta de faturamento de R$ 2 milhões.

O gerente sênior da empresa no Brasil, Alexandre Boschi, explica a evolução dos desenvolvimentos de blockchain da gigante com sede no Reino Unido:

"A EY montou um grupo de especialistas e outorgou 7 laboratórios de desenvolvimento, em que mais de 50 projetos em diferentes áreas foram desenvolvidos, ou seja, a partir de um tema, um negócio, foram feitas customizações de plataformas. Uma das que mais tem se desenvolvido é o EY Ops Chain, uma plataforma para rastreabilidade, gestão de inventários e permite integração com SAC. Essas plataformas atuam como aceleradores. Globalmente temos cerca de 17 patentes de blockchain baseadas nos projetos que realizamos."

Ele também diz que buscam instalar um centro de excelência no país:

"Não temos laboratório aqui. A ideia é termos um centro de excelência. Esses centros nascem a partir de projetos de base na EY, em que se olham pontos como plataformas e frameworks, aceleradores de desenvolvimento como o EY Ops Chain. [...] No Brasil temos o wavespace, um laboratório de inovação. As PoCs e MVPs começam nesse laboratório e quando viram produtos, entram para área de blockchain. Cada área ou região, quando tem um caso de uso de blockchain, começa a desenvolver algo com perfil de produto."

A equipe no Brasil ainda é reduzida, e os planos de uma equipe de desenvolvimento local são para 2021. Fúlvio Xavier, gerente sênior de blockchain, diz porém que o lançamento da MVP deve acontecer ainda em 2020:

"No Brasil, já temos um MVP de gestão de numerário que estamos começando a tornar uma linha no mercado. Ainda é um problema no Brasil e outros lugares do mundo a movimentação do dinheiro entre instituições, bancos centrais, por exemplo. Tem empresas já testando. A ideia é lançar no nosso ano fiscal que começa em julho próximo. Estamos fazendo a prova de conceito (PoC), entendendo a dinâmica do mercado, que é basicamente analógico e tem dificuldade de fazer gestão de forma eficiente, em especial quem tem volume grande."

Finalmente, Xavier falou de como vê o mercado brasileiro de blockchain:

"O mercado brasileiro tem dinheiro para blockchain. Acreditamos que consigamos faturar cerca de R$ 2 milhões nos próximos dois anos. Pode não parecer significativo no todo, mas é um conceito novo, muita gente foi para outras redes e clientes estão saindo de experiências ruins e nos procurando. E não tem um sabor só de blockchain. Perdemos um cliente para um projeto em Hyperledger, mas estamos trabalhando com esse mesmo cliente em um projeto sobre falsificação, que deve ser em Ethereum."

A equipe brasileira da EY cuida de outros países da América do Sul, como Argentina, Chile, Uruguai e Paraguai, com os executivos destacando que o Brasil está à frente no desenvolvimento da tecnologia. Eles também não desprezam os impactos da pandemia de coronavírus, mas ressaltam que o tempo de isolamento remoto será usado para fazer contatos com empresas e players para continuar desenvolvendo os projetos.

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