O halving do Bitcoin que ocorreu este ano foi um evento marcante para o mercado de criptomoedas, trazendo expectativas elevadas e impactos significativos não só para o ecossistema de ativos digitais, mas também para o mercado de startups e fintechs.

Fabiano Nagamatsu, CEO da Osten Moove, compartilhou com o Cointelegraph uma análise das consequências desse evento, destacando o que funcionou bem e o que não atendeu às expectativas.

O halving do Bitcoin é conhecido por reduzir pela metade a recompensa dos mineradores por bloco, impactando diretamente a oferta de novos Bitcoins e influenciando a dinâmica de mercado. Este evento gerou grande expectativa, incentivando startups a se envolverem mais ativamente com o mercado de criptomoedas.

“Startups de tecnologia financeira começaram a integrar soluções baseadas em blockchain e Bitcoin, esperando atrair investidores e consumidores ansiosos para não perder a onda de valorização”, explica Nagamatsu.

Plataformas de pagamento, carteiras digitais e soluções de DeFi (finanças descentralizadas) viram um aumento significativo no interesse e nas taxas de adoção. A expectativa era que o halving impulsionaria o preço do Bitcoin e, consequentemente, o crescimento dessas startups.

No entanto, nem todas as expectativas se concretizaram. Nagamatsu ressalta que algumas startups não conseguiram sustentar suas operações quando o preço do Bitcoin recuou para US$ 55 mil e os volumes de negociação despencaram.

“Muitas teses se confrontaram com a realidade e identificamos que certas apostas não eram sustentáveis”, afirma.

Um exemplo disso é a Binance, que encerrou o suporte ao seu mercado de NFTs Ordinals e tokens BRC-20. Este cenário reflete um padrão observado em bull runs anteriores do mercado cripto, como a tese dos ICOs que naufragou após o Bitcoin atingir US$ 19 mil em 2017, e o hype dos NFTs e jogos play-to-earn em 2020-21, que também não se sustentaram.

FOMO e FUD: a armadilha das startups

Nagamatsu adverte que este ciclo atual, iniciado após o halving, pode ver startups perderem posições e dinheiro quando um novo aperto na política econômica dos EUA ocorrer. “Quando isso ocorrer — e vai ocorrer — veremos ainda mais startups pautadas apenas no FOMO perderem posições e dinheiro”, alerta.

Apesar dos desafios, o halving trouxe lições valiosas. Construir produtos para atender a novas tendências pode ser arriscado, mas também pode revelar oportunidades duradouras. Nagamatsu cita os ICOs de 2017 e os jogos play-to-earn de 2020-21 como exemplos de tendências que apesar do recuo, deixaram marcas significativas no mercado.

“A expectativa quanto ao pioneirismo do Bitcoin em liderar também o mercado do ‘dinheiro programável’ talvez deva se encontrar com a realidade de que ouro digital não precisa ser o Pix”, conclui Nagamatsu, sugerindo que o Bitcoin deve manter seu papel como “ouro digital” enquanto outros protocolos de blockchain assumem o espaço de contratos inteligentes, pagamentos instantâneos e DeFi.