Os especialistas brasileiros em Bitcoin e criptomoedas, Safiri Felix, diretor da Associação Brasileira de Criptoeconomia (ABCripto) e Felipe Sant’Anna, sócio-gestor da Paradigma Capital, destacaram, em um recente painel promovido pelo Infomoney, quais são os principais fatores que podem impulsionar o preço do Bitcoin em 2020.

Ambos destacaram o halving, que reduzirá a recompensa de cada bloco minerado pelo metade, como fator determinante para o ano, “Além de jovem, o Bitcoin é extremamente cíclico. O Bitcoin é o maestro do mercado e tem um ciclo que dura basicamente quatro anos, em que ele passa por mudanças técnicas, o que afeta o mercado inteiro, e os preços progridem de acordo com isso”, afirmou Sant’Anna.

“Do ponto de vista prático, estamos falando de um corte de oferta da ordem de 50%. É pura aula de economia. Você tem uma commodity cuja demanda não para de crescer e a oferta vai cair drasticamente. A conclusão mais lógica é que o preço vai reagir de forma positiva”, explica Safiri.

Entretanto, para além do halving, outros dois “grandes vetores” devem guiar o Bitcoin daqui para frente, sendo que o primeiro deles é o uso do BTC como reserva de valor e o outro o aumento da criação de produtos financeiros baseados no Bitcoin.

“Isso acaba rompendo duas resistências: do público que ainda não se sente seguro em operar com suas próprias chaves privadas ou na exchange, além de abrir a porta para o capital institucional”, destacou Felix.

Contudo, embora a expectativa com relação ao aumento no preço do Bitcoin seja latente entre os especialistas há também fatores que podem levar o preço a se comportar de maneira diferente do esperado e apresentar uma 'retração. como no caso da incerteza sobre as questões regulatórias que ainda afastam grandes players do mercado de criptomoedas e que muitas vezes falta a eles uma compreensão maior da tese de investimento como um todo.

“É comum a gente encontrar gestores que já começam a análise com um certo preconceito, e isso acaba colocando eles em dissonância cognitiva. Já começam com má vontade de entender sobre o ativo. Com isso, por mais consistente que sejam os argumentos, essa resistência faz com que eles não entendam, na minha opinião, o que está por trás da inovação do Bitcoin que é o conceito da escassez digital programada”. ponderou o diretor da ABCripto.

Já Sant’Anna aponta que “inevitavelmente irão surgir novos fundos e isso é um sinal positivo para a indústria como um todo”. “Tem gente que só vai montar alocação se for deste jeito e é importante que existam fundos”, completa.

Sobre o mercado de altcoins, segundo Sant’Anna, nenhuma delas pode influenciar o preço do Bitcoin, com exceção do Libra, do Facebook e da possível emissão de uma moeda digital do Banco Central emitida pela China.

“Minha sugestão é ter um 2020 mais simples. Se tem moedas que podem influenciar o destino do Bitcoin são mais a Libra do Facebook, ou moedas digitais de governos”, afirma ele.

Já Safiri lembra que é importante diversificar o portfólio para diminuir o risco sobre a volatilidade, mas destaca que um aumento no Bitcoin geralmente afeta todo o mercado.

“Por outro lado, quando olhamos para isso dentro dos próprios criptoativos é importante não cair na armadilha do excesso da diversificação, porque neste caso é o contrário, há uma grande correlação. Se o Bitcoin subir, ele arrasta todo mundo, mas nos ciclos de baixa os outros caem mais e o Bitcoin acaba mantendo menos risco”, explica Safiri.

Como noticiou o Cointelegraph, o mercado de criptomoedas mostrou força durante o mês de janeiro. Após o início bem-sucedido do Bitcoin no início do ano, o melhor registrado desde 2018, a capitalização de mercado tem aumentado constantemente à medida que seu domínio diminui para dar lugar a uma nova temporada de altcoins. Neste cenário, Monero, Cardano e Tron lutam para ver quem entra no Top 10.

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